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Coluna

O homem prisioneiro das aparências

12 fevereiro 2026 - 16h12

O apego à autoimagem é o resultado da vaidade, calando a lembrança da morte e consumindo o tempo com futilidades. As redes sociais criaram um exército de desocupados que acreditam saber de tudo quando, na verdade, mal sabem assinar o próprio nome. Toda essa combinação de ócio destrutivo, desinformação, preguiça de estudar e desejo de aparecer promove debates boçais impulsionados por algoritmos bestializantes. Dentre os mais variados temas, destaco um que sempre me chama a atenção: a masculinidade.

Influencers querem, a qualquer custo, determinar às novas gerações o que é e como se comporta um “homem de verdade”. Aos jovens (sim, esses jovens que, não raro, cresceram sem a figura paterna e que se encontram num mundo instável e economicamente em crise), são vendidos discursos de “macho alfa” e “homem provedor”, baseados em reduções absurdas da realidade, estereótipos grosseiros e generalizações sem nexo que desconsideram os elementos mais importantes ao homem: a segurança, a firmeza e a humildade em sua conduta e ações.

Gera-se, com isso, uma massa de sujeitos neuróticos, frágeis e performáticos, homens que estão profundamente apegados à própria autoimagem – e é essa estima algo de notória pequenez e tosquice. Pessoas desse tipo não conseguem sustentar internamente os motivos de suas ações, pois vivem em prol da manutenção das aparências, sendo regidas pelas palavras do próximo e pelas tendências do momento. Vaidade, medos e feridas emocionais ocultam-se numa pseudo-grandeza erigida na areia fofa e movediça do endeusamento do ego.

Um indivíduo seguro de si jamais permitirá que terceiros determinem o rumo de seus passos. Não por egoísmo, mas por entender que só ele tem a responsabilidade de viver a própria vida (a única coisa que lhe compete) e que ninguém pode interferir nisso de uma forma abusiva. A compreensão de tal aspecto é suficiente para tornar nítida a baixeza e a pobreza de qualquer sisteminha de regras e métodos de vida dos coaches, uma vez que não encontram pleno lugar na complexidade da vida humana.

Em tempos de barulho digital, confusão social e loucura coletiva, nunca foi tão importante cultivar o silêncio e o contato consigo mesmo.