Revendo textos do escritor português José Saramago (1922 – 2010), deparei-me com a seguinte citação: “Chegará o dia em que a inteligência será desprezada e a estupidez será adorada”. A excessiva atenção dada ao manuseio dos dispositivos eletrônicos parece que tem desviado a atenção dos humanos da sua própria preservação. A inteligência humana tem sido direcionada na busca desenfreada por dinheiro e poder, ocasionando a cegueira da razão, impedindo a avaliação das consequências, o que caracteriza pura estupidez. Em recente viagem à cidade de Belém, no Pará, pude visualizar, por cima, o estado devastado em que se encontra a Floresta Amazônica, o que me fez recordar uma frase de Chico Mendes (1944 – 1988), seringueiro e ativista político, assassinado por seu posicionamento a favor da preservação da Amazônia: “No começo pensei que estivesse lutando para salvar seringueiras, depois pensei que estava lutando para salvar a Floresta Amazônica. Agora, percebo que estou lutando pela humanidade”. Em um mundo cada vez mais hipnotizado pelos avanços da inteligência artificial, há uma competência silenciosa, mas muito poderosa, que continua insubstituível: a inteligência relacional. Relações saudáveis são inteligentes e demonstram sabedoria.
Uma fábula conta que o mundo passava por uma era glacial. Os animais morriam de frio e fome; foi então que perceberam que, se se agrupassem, o calor do corpo de um aqueceria o corpo do outro. Assim, começaram a sobreviver, só que os porcos-espinhos, ao se aproximarem uns dos outros, se feriam com os espinhos que mantinham no corpo e se afastavam, voltando a estarem sujeitos ao frio extremo. Então tiveram a ideia de se juntar vagarosamente, de tal forma que os espinhos não provocassem feridas no seu próximo, desse modo, permaneceram vivos.
A neuropsicóloga e palestrante Ana Artigas define inteligência relacional como “a inteligência que nos conecta ao mundo por meio das pessoas”. E completa: “É a habilidade de nos relacionarmos de forma positiva com os outros, entendendo as necessidades individuais e estabelecendo uma conexão que traga cooperação, aprendizado, ganhos e energia positiva para as duas partes”.
No cotidiano, as políticas governamentais são frequentemente alvo de críticas e controvérsias, com a percepção de medidas estúpidas praticadas por lideranças políticas, econômicas e sociais. O que, para uns, pode ser uma necessidade ou benefício, para outros, uma decisão equivocada.
Albert Einstein (1879 – 1955), físico e pensador alemão, navegou por muitas áreas do comportamento humano, deixando-nos frases lapidares, como: “O primeiro dever da inteligência é desconfiar dela mesma”, e completa: “O perigo não está em não saber, mas em achar que já se sabe tudo”. Tal comportamento tem levado muitos governantes a cometerem erros absurdos. Para a solução de problemas é necessário o uso de inteligência, mas, quando esta é ignorada, aparecem os erros. Na atual gestão do presidente dos Estados Unidos, medidas foram tomadas de forma equivocada, como a política de tarifas de importação e a da imigração, que geraram protestos e críticas de líderes políticos e da população; a Reforma Administrativa e a Reforma Tributária, em vias de serem introduzidas no Brasil, têm gerado críticas e debates sobre sua eficácia e sobre quem será efetivamente beneficiado ou prejudicado; os congelamentos de preços utilizados no passado pelo governo brasileiro, como medida de combate à inflação, foram ineficazes. Estas e tantas outras ações praticadas em várias partes do mundo geraram consequências piores do que o problema original, por terem sido tomadas com base em crenças ou ideologias, ignorando evidências e o conhecimento técnico aprofundado.

