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Coluna

Lei da oferta e da procura

08 outubro 2022 - 13h52

No anedotário popular é conhecida a estória de um prefeito que ao receber um parecer técnico de um engenheiro, a respeito da impossibilidade de construir mais um andar em um prédio, devido à “Lei da Gravidade”, reagiu veementemente dizendo: “vou mandar um projeto para a Câmara pedindo para revogar essa tal Lei da Gravidade”.

Como a Lei da Gravidade, formulada por Isaac Newton (1643 – 1727), existem muitas outras que podemos chamar de “universais”, uma vez que se referem a propriedades imutáveis. Uma dessas é a “Lei da Oferta e da Procura”, muito embora não se fundamente em aspectos da metafísica; no ambiente econômico é absoluta. Ela é tão ampla que abrange desde relações comerciais a relações humanas.

A principal aplicação da Lei da Oferta e da Procura é na precificação de valores econômicos atribuídos aos bens e serviços, colocados à disposição para comercialização. Quanto maior for a oferta, menor preço. Na direção inversa, quanto maior for a procura, maior será o preço. Na área profissional, quanto mais especializada for uma pessoa, maior remuneração poderá agregar aos serviços prestados.

Conta-se que um mecânico foi contratado para resolver o problema do motor de um barco que não conseguia dar partida. Chegou, examinou a peça, pegou uma ferramenta e deu três pancadas em uma parte específica do motor. Em dez minutos o problema foi resolvido. Apresentou então a conta: 1.000 reais. O contratante achou um absurdo e ponderou que era muito pouco tempo de trabalho para aquele valor. O mecânico então respondeu: “para o meu tempo de trabalho estou cobrando cinquenta reais. Os restantes novecentos e cinquenta é por saber onde exatamente tinha que bater com minha ferramenta”. Pessoas dotadas de talentos especiais têm o valor dos seus serviços altamente valorizados. Isso acontece com médicos, advogados, projetistas, escritores e em diversas outras profissões.

O “paradoxo do diamante e da água” é um tema abordado nos estudos econômicos, onde se procura explicar o porquê da água, sendo um bem essencial à vida humana, ter um valor tão baixo em relação ao valor de um diamante. A resposta é encontrada ao se observar que o diamante é um mineral raro, de pouca oferta na natureza, enquanto a água existente é – ainda – em abundância.

Muitas empresas utilizam o artifício de provocar a redução da oferta artificialmente para conseguir aumento dos preços de seus produtos. Reduzem a produção ou mesmo inutilizam aquilo que foi produzido em excesso. Periodicamente vemos acontecer com produtores de leite, hortifruticultores, agricultores, etc. Na área industrial a prática é dar férias coletivas, paralisar a produção e diminuir os estoques.

O governo atua no acompanhamento dos preços dos produtos de primeira necessidade (arroz, feijão, milho, soja, trigo), através da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), mantendo estoques reguladores ou de segurança, que são formados com a aquisição da safra excedente dos produtores e armazenados para serem vendidos no período da entre safra, quando ocorre escassez e os preços tendem a aumentar.

Na área financeira essa lei também é aplicada. Como o dólar é uma moeda referencial para as transações internacionais, o governo intervém diretamente comprando ou vendendo, com o objetivo de controlar a taxa de câmbio, evitando especulações e o colapso nas transações comerciais do Brasil com outros países. Essas operações são realizadas pelo Banco Central utilizando as reservas dessa moeda, que no início deste ano totalizavam US$ 362,20 bilhões. No ambiente interno o controle é feito através dos estoques de moedas físicas colocadas em circulação, sendo uma das ferramentas da política econômica de combate às causas da inflação. Diariamente o Banco Central atualiza esses estoques, tendo finalizado o mês de setembro com R$ 320 bilhões. É sabido que muita moeda em circulação representa um forte fator para o aumento das taxas inflacionárias.

Em todas as situações em que há o confronto entre a oferta e a procura, o que se procura é alcançar o equilíbrio, onde, tanto quem está vendendo quanto quem está comprando fiquem satisfeitos. É o que chamamos de “Break even point” (ponto de equilíbrio), muito embora a situação pretendida por ambas as partes é ter a supremacia. É exatamente aí que entram as autoridades impondo regras, regulando e até mesmo aplicando penalidades pela exorbitância dos agentes ofertantes.

No campo político a procura por políticos éticos é cada vez maior. Essa é a razão pela qual, quando encontramos, nos parece algo raro. Josh Billings (1818 – 1885), humorista americano, disse certa vez que: “a verdade é rara, mas sua oferta sempre foi maior do que a demanda”.

(*) Clésio Guimarães é empresário, professor, administrador de empresas e representante do CRA-Conselho Regional de Administração.