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Coluna

Jogo camaleônico

09 abril 2026 - 12h05

O jogo esportivo profissional é vivo e muda. Seja por novas regras envolvendo a inserção de tecnologias digitais, seja pela maneira como equipes e atletas praticam a modalidade. No futebol, o Brasil teve dificuldades na Copa de 1966 porque a modalidade havia ficado mais física e veloz. Marcação forte, diminuindo os espaços e o tempo para se pensar no que fazer com a bola. Filosoficamente falando, as condições de possibilidade de entendimento do jogo haviam mudado.

Na final do Mundial de 1970 , o Brasil enfrentou uma Itália que jogava com dois tipos de laterais. O direito era defensivo, misturando-se com os zagueiros, e era chamado de Terzino Marcatore. Já o esquerdo era um ponta de lança. Jogava como um atacante e era chamado de Terzino Fluidificante. Em 1966 , o Brasil acreditou que bastava jogar o seu futebol. Não bastou e a seleção foi eliminada já na primeira fase. Em 1970 houve preparação específica. E a equipe aprendeu a se impor diante das novidades europeias sem abrir mão do seu estilo de jogo.

Agora, os neologismos usados no futebol não são novidades para ninguém. O mesmo “linha alta” que se usa aqui se usa lá e acolá. Caberá a cada seleção dosar o que tem de inconfundível com o que vem de fora tentando surpreender. Apesar de toda suspeita de interferência externa, as Copas de 1974 e 1978 tinham como favorito o mágico carrossel holandês de Cruyff e Neeskens. Mas a laranja mecânica foi derrotada nas duas finais por Alemanha e Argentina, respectivamente.

Numa Copa, é a justa medida que dá a glória, não a capacidade exclusiva disso ou daquilo.