No início da década de 1970, um fato inusitado tomou conta do noticiário na região: um empresário foi vítima de um estelionato. Até aí nada demais, isso pode ser até normal na vida de quem possui uma empresa. Só que esse empresário foi enganado por uma dupla de criminosos que lhe vendeu uma máquina de fazer dinheiro. Segundo ele relatou na época, os estelionatários fizeram teste de produção com uma máquina “fotocopiadora” (na época não havia as impressoras como as que temos hoje). Após receberem a alta quantia que havia sido cobrada, sumiram, e a máquina acabou não funcionando; era um engodo. Ao fazer um boletim na delegacia, esse empresário quase ficou preso, pois estava conivente com um crime maior, que era o de falsificação de dinheiro. Dá até vontade de rir ante tanta inocência e desconhecimento do funcionamento do sistema monetário nacional. Nesse quesito, o governo não admite concorrência.
Só quem pode emitir e fabricar dinheiro é o governo, através do Banco Central, que para isso utiliza-se de uma contratada, que é a Casa da Moeda, uma empresa pública vinculada ao Ministério da Economia. Após a produção, o dinheiro vai para um “custodiante”, onde fica armazenado até ser liberado para a logística seguinte, que é ser validado pelo Banco Central. Este “custodiante”, que no Brasil é a própria Casa da Moeda, também tem a responsabilidade de recolher as cédulas em mau estado de conservação para que sejam incineradas.
É possível saber o montante de dinheiro – notas e moedas – em circulação dia a dia. Basta consultar o site do Banco Central no link “meio circulante”, que mostrava no dia 21/12/2022 um valor de R$ 337,45 trilhões. É um valor relativamente baixo em relação ao que é movimentado pela economia brasileira, tendo em vista o montante que efetivamente circula, sendo dezenas de vezes maior em razão da existência de papéis, contratos, títulos e outros documentos que funcionam como moeda. Os bancos comerciais, componentes do sistema financeiro nacional, têm a capacidade de emitir moeda de forma indireta e virtual, utilizando-se do crédito e dos juros. Assim como o dinheiro físico, a moeda criada pelos bancos é controlada pelo Banco Central, que as utiliza como um dos instrumentos da política monetária de controle da inflação.
Como o excesso de dinheiro em uma economia é fator inflacionário, por isso mesmo deve ser evitada sua emissão, o governo, nos três níveis, utiliza então de outro artifício para “fazer” dinheiro, criando ou aumentando tributos. Essa prática, nefasta sob todos os aspectos, acaba repercutindo sobre os assalariados, que sem mecanismo de defesa ficam à mercê da saga gananciosa de governantes insensíveis. Quem nunca ouviu falar da “indústria” das multas de trânsito? Forma de angariar recursos, muitas vezes utilizando artifícios nada ortodoxos quando o caminho correto seria a advertência e a educação.
Um antigo ditado, que sempre utilizava em minhas aulas de economia, diz que “fica rico quem gasta menos, não quem ganha mais”. Podemos levar esse ensinamento para a área pública, dizendo que a boa gestão tem como fundamento a racionalização dos gastos e contingenciamentos, não o aumento das receitas através de mais impostos. Os governantes têm que ter consciência que foram eleitos para governarem para o povo, não para si, e que jogar nas costas dos mais pobres é, no mínimo, um ato abominável. Margaret Thatcher (1925 – 2013), primeira ministra da Inglaterra no período de 1979 a 1990, deixou a seguinte citação: “Não existe dinheiro público, existe apenas dinheiro de quem paga impostos”.
Evidente que este poder discricionário do Estado em gerar dinheiro, sem passar pelo sistema financeiro, resolve um problema, mas cria outro, que é o aumento da inflação, uma vez que os valores são repassados para os consumidores, pelos empresários, através da incorporação dos tributos aos preços dos produtos e serviços.
Há em voga na área financeira e de investimentos a prática de se utilizar as chamadas “criptomoedas”, moedas digitais que utilizam a criptografia para realizar transações. Uma de suas características é não ter uma autoridade central de emissão e regulação; e usar um sistema descentralizado para registrar operações e emitir novas unidades. Esse modelo de criar moedas está fora do sistema financeiro, por isso mesmo oferece riscos inomináveis.
Certa vez me perguntaram o porquê de cada um não poder emitir seu próprio dinheiro. A resposta é simples: pelo mesmo motivo pelo qual numa partida de futebol não se dá uma bola para cada jogador.

