O rei Salomão, mencionado na Bíblia, ficou notabilizado por sua sabedoria e sua imensa riqueza. No entanto, o que pouco se fala é sobre a forma como oprimia o seu povo impingindo pesada carga tributária. Quando ele morreu, seu filho Roboão, príncipe herdeiro, assumiu em seu lugar. Como não tinha experiência, constituiu dois Conselhos para ajuda-lo a governar. Um constituído por jovens, amigos de infância, e outro formado por anciãos. Como havia grande clamor do povo pela redução da pesada carga que tinham que suportar, o novo rei procurou ouvir seus conselheiros. Os anciãos aconselharam-no a ser servo do povo, falando-lhes boas palavras, aliviando o jugo; ouvidos os jovens, estes disseram: “Diga ao povo que se teu pai fez pesadíssimo o jugo e vos castigou com açoites, eu, porém, vos castigarei com escorpiões”. A expressão "castigar com escorpiões", encontrada na Bíblia, é uma metáfora para uma punição ou opressão extremamente severa, dolorosa e impiedosa. Muitos estudiosos acreditam que "escorpiões" se referiam a um tipo de chicote cujas pontas tinham pedaços de metal, espinhos ou ossos afiados, que ao atingir a pele, causavam uma dor lancinante semelhante à picada de um escorpião. A consequência dessa decisão, em não ouvir os anciãos, ocasionou a divisão do reino, sua fragilização e, posteriormente, derrota para invasores, culminando pela escravidão.
O preconceito às pessoas por causa da idade é chamado de “etarismo”, e é uma questão tão séria que está enraizado na sociedade, sendo considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU) um desafio global. O preconceito traz impacto na saúde, de ordem psicológica, comportamental e fisiológica, além de reduzir a empregabilidade e a qualidade de vida da população nessa faixa etária.
No Brasil, a Lei Complementar nº 152/2015 e a Emenda Constitucional nº 88/2015, estabelecem que o tempo de permanência de um funcionário no serviço público é de 75 anos. Algumas instituições privadas, como a Igreja Metodista no Brasil, adota como limite de permanência dos seus obreiros clérigos, a idade de 70 anos.
Não existe uma idade máxima limite definida em lei para que um funcionário permaneça trabalhando em empresas privadas (regidas pela CLT). A Constituição Federal e a legislação trabalhista proíbem qualquer prática discriminatória baseada na idade para manutenção do emprego. A dispensa de trabalhadores motivada apenas pela idade elevada é proibida pela Lei nº 9.029/1995.
Jean-Jacques Russeau (1712 – 1778), filósofo francês, dizia que: “Na juventude deve-se acumular o saber. Na velhice fazer uso dele”. Muitas empresas no mundo estão optando por contratar pessoas idosas, assim chamados os que atingiram 60 anos, por apresentarem elevado grau de experiência, resiliência, inteligência emocional e maior diversidade gerencial. A experiência do empresário Abílio Diniz (1936 – 2024) levou-o a dizer: “Para ser idoso é preciso ter idade. Para ser jovem, qualquer idade serve”.
O Estatuto da Pessoa Idosa (Lei nº 10.741/2003) regula direitos de pessoas com 60 anos ou mais no Brasil, garantindo prioridade na saúde, transporte, moradia e assistência social. Assegura dignidade, proteção contra violência/negligência e prioridade especial para maiores de 80 anos, com obrigações solidárias entre família, sociedade e Estado. Como podemos ver, não é por falta de leis que os idosos deixam de ter amparo, mas, na prática ainda falta muito para alcançarmos o ideal. O talentoso escritor e jornalista Millor Fernandes (1923 – 2012), disse certa vez: “Qualquer idiota consegue ser jovem, é preciso muito talento para envelhecer”.

