Um interessante relato extraído do livro “O que podemos aprender com os Gansos” (Editora Original-2006) conta a história de um jornalista que recebeu a missão de escrever uma matéria sobre como consertar o mundo. Recebeu três dias de folga para pensar e escrever. Nos dois primeiros dias, nenhuma ideia lhe chegou à mente. No terceiro e último dia, estendeu um mapa mundial sobre uma mesa e ficou debruçado sobre ele buscando inspiração. Iniciou várias vezes, mas sem sucesso. Eis que seu filho entra na sala e começa a perturbá-lo para que escrevesse algo sobre o lagarto que tinha nas mãos. Impaciente, rasgou o mapa em muitos pedaços, entregou ao menino e disse: “Assim que você montar novamente este mapa, vou escrever alguma coisa sobre o seu bichinho!” O garoto saiu e, quinze minutos após, estava de volta com o mapa completamente reconstituído. Admirado, o pai disse: “Meu filho, como foi possível, em tão pouco tempo, montar o mapa?” E o menino respondeu: “Pai, é que o senhor não percebeu que atrás do mapa havia o desenho de um homem. Eu consertei o homem e acabei consertado o mundo!” Sun Tzu (544 a.C. – 496 a.C.), mestre estrategista, disse que: “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas”. Conhecimento e estratégia são essenciais para alcançar objetivos, quer sejam pessoais ou corporativos. A grande questão é como conseguir. Um dos caminhos é observar ações bem sucedidas dos concorrentes e aplicá-las.
Abelardo Barbosa (1917 – 1988), o Chacrinha, famoso apresentador de televisão, tinha um bordão interessante que dizia: “Na Televisão, nada se cria, tudo se copia”, numa alusão à famosa frase de Lavoisier (1743 – 1794): “Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Isto porque a maioria dos programas de sucesso exibidos na televisão brasileira eram cópias de outros países, aliás, como é até hoje. Nada demais, contanto que se dê o crédito aos legítimos autores e pague pelo uso como franquia, caso contrário se constituirá em “plágio”, o que é crime.
Esta prática acabou por se transformar em uma importante ferramenta de marketing muito utilizada na gestão de empresas, recebendo o nome de “Benchmarking”, que é um processo de avaliação de uma organização em relação à concorrência, por meio do qual incorpora os melhores desempenhos ou aperfeiçoa os seus próprios métodos. Foi a “Rank Xerox Corporation” quem desenvolveu essa técnica que consistia em fazer uma análise das práticas das empresas consideradas mais eficientes, a fim de que o desenvolvimento dos produtos e serviços fossem otimizados, e para que uma empresa não apenas copiasse seu concorrente, mas que ela fizesse melhor.
Tendo transitado pela administração pública, tive oportunidade de aplicar esta ferramenta com bastante eficiência na secretaria pela qual fui responsável. Como a legislação para a área pública é uniforme, a troca de informações sobre procedimentos adotados com sucesso por algumas prefeituras possibilitou implantar metodologias que redundaram em melhorias no nosso sistema operacional, uma vez que já haviam sido experimentadas por outras administrações. Evidente que cada administração tem suas características para imprimir sua própria marca.
No entanto, a tênue linha que separa o que é legal de ser copiado do que é ilegal exige todo cuidado de quem está fazendo. Algumas empresas registram em órgãos oficiais detalhes da sua estrutura, como combinação de cores, formato de letras, slogan, fórmulas, entre outros detalhes. Uma vez registrada, passa a ter proteção legal, não podendo ser replicada. Mas várias outras peculiaridades bem sucedidas, apresentadas por um produto ou empresa, podem perfeitamente ser observadas e utilizadas pelos concorrentes. Técnicas de abordagem, formato de embalagem, layout, conteúdo de embalagens, design, entre outros, são reproduzidos por concorrentes de forma bastante usual. É bom lembrar que o Benchmarking não se restringe a área empresarial, podemos encontrar variações da sua utilização em vários segmentos da sociedade, como igrejas, ONGs, política, entretenimento, e principalmente no comportamento individual das pessoas. Nesse momento, temos o que se chama de “tendência” ou “modismo”, quando todos começam a copiar determinados comportamentos em relação à moda, consumo, viagens, música, lugares, etc., que estão fazendo sucesso.
Mas, como diz um ditado popular, “nem tudo que reluz é ouro”, por isso temos que concordar com Aristóteles (384 a.C. – 322 a.C.), filósofo grego, que disse: “A finalidade da arte é dar corpo à essência secreta das coisas, e não copiar sua aparência”. Na falta de criatividade é o que muitos fazem, copiam.

