Epidemia de sarampo: ‘O país inteiro está em risco’, diz Lucy Pires

Baixa adesão a campanhas de vacinação é citada como principal motivo para atual cenário

Publicado em 12/07/2018 às 09:36

ALEXANDRE FILHO

Depois de ter erradicado a doença em 2016, o Brasil vive uma epidemia de sarampo atualmente. Já são mais de 475 casos confirmados em todo o país, e no Rio de Janeiro, duas pessoas foram confirmadas com a doença nesta semana. Segundo a superintendente municipal de Vigilância e Saúde de Cabo Frio, Lucy Pires, o cenário preocupa e todo o país está em risco atualmente, principalmente pelos recentes dados que mostram a falta de preocupação da população com a própria imunização.

O problema não se limita apenas à epidemia de sarampo, que além do Rio tem seis casos confirmados no Rio Grande do Sul e em outros dois estados – Amazonas, com 265, e Roraima, com 200 casos – onde a situação já está sendo considerada um surto. Com 312 cidades com cobertura vacinal abaixo de 50% atualmente, o Ministério da Saúde também alerta para o risco de a poliomielite voltar a se tornar um problema de saúde pública no país.

Mesmo sem casos confirmados de sarampo, Cabo Frio não está livre do problema, afirma a superintendente municipal de Vigilância e Saúde da cidade, Lucy Pires. Segundo ela, o país inteiro atualmente está em risco, tudo por conta da baixa adesão às campanhas de vacinação em todo o país.

– Independente de ainda não termos casos aqui, no atual cenário o país inteiro está em risco, tudo porque temos baixa adesão nas campanhas de vacinação ou na vacinação de rotina. E não só para sarampo, mas para quase todas as doenças. Então acho que o país inteiro deveria ficar preocupado. Temos que estimular os responsáveis para levar os filhos para vacinar, não só a tríplice viral e tetra viral, mas para todas as vacinas necessárias – disse.

Com anos de experiência na área, Lucy conta que nunca havia visto tanto desinteresse da população nas campanhas de vacinação. Ela acredita que o motivo pode estar em movimentos nascidos nas redes sociais, que desinformam a população e desestimulam as pessoas a levarem seus filhos para se vacinar.

– Todos os técnicos de saúde do mundo inteiro acham que esse fenômeno tem a ver com esses gruFriopos de redes sociais que são contra a vacinação, e a gente fica boquiaberto com isso, porque quem decide que não vai vacinar os filhos são pessoas que um dia se beneficiaram das vacinas quando eram crianças. Não dá para entender quem nega aos filhos o direito de se proteger de doenças que podem levar à sequelas gravíssimas ou quadros graves que podem levar à morte – declarou.

Um exemplo de tal situação aconteceu recentemente em Cabo Frio, durante a campanha nacional de vacinação contra a gripe. Segundo o Departamento de Saúde Coletiva, os grupos de maiores riscos, como crianças e idosos, estiveram bastante abaixo da expectativa. Ao final, a campanha conseguiu atingir uma cobertura de apenas 32,07% das crianças e 47,88% das gestantes, quando o ideal era de 90% para cada um desses grupos. Lucy explica que mesmo após a campanha, que ocorreu antes do inverno, época considerada a melhor para a imunização, quem ainda não se vacinou pode fazê-lo nos postos de saúde.

– As crianças que dependem dos responsáveis para irem para as unidades de saúde e as gestantes foram os grupos que tivemos mais problemas nessa campanha. São os que tiveram menor cobertura. Mas agora, mesmo durante o inverno, quem ainda não tomou a vacina pode tomar nas unidades de saúde – explicou.

Em relação ao sarampo, ainda de acordo com o Departamento de Saúde Coletiva , ao contrário dos números da campanha da gripe, Cabo Frio demonstra números favoráveis de cobertura vacinal, com 81,48% das crianças até um ano vacinadas entre junho de 2017 e julho deste ano. Os números acompanham a boa média do Estado, que conta com 95% de cobertura vacinal para a doença no mesmo período.

Pensando na atual situação crítica que se encontra o país, o Ministério da Saúde programou uma campanha nacional de vacinação contra o sarampo e poliomielite, que acontecerá entre os dias 6 e 31 de agosto, com dia “D” programado para acontecer no dia 18 do mesmo mês. Para quem não levou o filho para tomar dentro do período correto, ou não sabe se está vacinado, a especialista explica as condições para poder tomar as doses da vacina.

– As doses da vacina de sarampo são voltadas para crianças entre 12 meses a 15 meses. Para os adultos que não sabem se tomaram, ou não tem carteira de vacina, dependendo da faixa etária, até os 29 anos de idade a pessoa toma as duas doses, com o intervalo de um mês entre as duas. Acima dos 30 anos até os 49 anos, toma uma única dose – disse ela, que explicou que pessoas acima de 49 anos não precisam tomar pois provavelmente já tiveram a doença quando crianças, na época em que ainda não existia a vacina de sarampo.

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