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Cabo Frio testemunha a interiorização do consumo

Metade da renda do Brasil estará fora das capitais até 2020

28 julho 2014 - 16h12Por Rodrigo Branco
Cabo Frio testemunha a interiorização do consumo

Céu de brigadeiro para o setor varejista em Cabo Frio. Pelo menos, essa é a opinião das associações comerciais locais e das grandes redes instaladas na cidade. A percepção vem ao encontro de um relatório divulgado recentemente pela consultoria Boston Consulting Group (BCG), segundo o qual o eixo de consumo tem se deslocado gradativamente das capitais e regiões metropolitanas para o interior do país.

O estudo, subsidiado por dados do IBGE, indica que se, em 2000, as gigantes do setor precisavam ter lojas em 229 cidades para cobrir 75% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, até 2020 será necessário inaugurar filiais em, no mínimo, 400 municípios. Também segundo estimativas do BCG, no mesmo período serão injetados cerca de R$311 bilhões de dinheiro novo no mercado, sendo quase a metade desse montante (46%), longe das capitais. Com isso, quase metade da renda disponível no país estará no interior até 2020.

É uma previsão superlativa que reforça o otimismo em afirmar que os comerciantes cabofrienses já sentem os reflexos dessa tendência.

– Recente levantamento feito pelo Ministério do Trabalho revela que entre os municípios fluminenses que registraram os maiores saldos de empregos em dezembro de 2013, Cabo Frio aparece em 3º lugar, com destaque para o setor do comércio. E, se tem mais oferta de emprego, é porque existe mais gente gastando, ou seja, houve uma mudança na renda das pessoas permitindo que elas pudessem gastar mais com outras coisas “não essenciais” – afirmou o presidente da Associação Comercial de Cabo Frio (Acia), Walmir Porto.

“Deus te ouça!”. O comentário em forma de pedido foi do presidente do Clube dos Diretores Lojistas de Cabo Frio (CDL), José Martins, ao ouvir da reportagem da Folha os dados do estudo norte-americano.

– O reflexo disso vem há mais de cinco anos. As grandes redes de varejo têm informações do potencial de determinada área 20 anos antes de esses dados virem a público. Elas saem dos grandes centros e migram para onde o dinheiro está indo – avaliou José Martins, referindo-se ao crescimento proveniente da indústria de petróleo e gás.

De fato, com a inauguração do Shopping Park Lagos, em dezembro do ano passado, o consumidor mais exigente passou a ter acesso a marcas às quais teria que fazer longos deslocamentos para consumir. Ainda assim, o espaço ainda não funciona na sua plenitude, pois alguns pontos não foram alugados e seguem vazios. A situação, no entanto, não preocupa e “é planejada”.

A administração do shopping aposta em um “mix” que seja interessante para o cliente. Garante, assim, a todos, a maior diversidade de segmentos possível: moda masculina, feminina, material esportivo e por aí vai.

O coro dos contentes, contudo, é desafinado pelos comerciantes de rua, para os quais a opulência dos números divulgados pelos estadunidenses é uma perspectiva ainda distante.

– Não tenho sentido impacto nisso no comércio. O movimento está normal, não tem oscilação. Meu movimento sempre foi estável, pois é loja de bairro. A clientela é fixa – disse João Batista, 70, dono de uma pequena loja de artigos a preços populares na Avenida Lecy Gomes da Costa, em São Cristóvão.

– Acredito que o movimento vá se manter estável a médio e curto prazo, no mínimo. O impacto que tenho na minha loja tem relação com pessoas do município; de fora, nem tanto – reforça o gerente de uma loja de artigos eletroeletrônicos na mesma rua, Diego Salvador, 28.

Nem todos compartilham da mesma tese. De acordo com a gerente de uma loja de brinquedos e outros produtos infantis na Avenida Joaquim Nogueira, Rosa Spnola, a nova realidade representa oportunidade de aperfeiçoamento e bons negócios.

– Acho que sim. Porque o interior está se preparando para essa concorrência, mesmo as empresas de pequeno porte. Capacitando seus funcionários, buscando novidades. Com isso estaremos cada vez mais preparados para que as pessoas não precisem sair de nossa cidade para consumir produtos que antes só tinham na capital – explica a comerciante.

O presidente da Acia concorda e acredita que somente aqueles que se adequarem às mudanças terão bons resultados.

– Quem se adequou à nova realidade tem conseguido perceber um leve aquecimento nas vendas, mas infelizmente nem todo mundo está aberto a mudanças – concluiu Walmir Porto