TELEVISÃO

Ator de Cabo Frio integra elenco de nova superprodução bíblica da Record

Em "Ben-Hur", Daniel Ericsson interpreta um arauto romano. Caracterização do personagem leva cerca de uma hora

8 NOV 2026 • POR Redação • 10h33

Um ator de Cabo Frio está na superprodução “Ben-Hur”, série da Record que estreou em outubro na plataforma Univer Vídeo (disponível nos sistemas Android e IOS), e chega à TV aberta em 2027. Nascido na Suécia mas criado na cidade, Daniel Ericsson interpreta o Arauto de Roma, personagem que anuncia as ordens e proclamações das autoridades romanas. A primeira temporada da série tem 50 episódios de drama épico, fé e ação: Daniel pode ser visto a partir do capítulo 14 e segue até o 24.

“Ben-Hur” é produzida pela Seriella Productions em parceria com a Record. O roteiro e a adaptação são assinados por Cristiane Cardoso, com base no clássico literário “Ben-Hur: A Tale of the Christ”, de Lew Wallace. A direção geral é de Vicente Guerra. Além de Daniel (que também participou do filme “Ainda Estou Aqui”) o elenco conta ainda com Petrônio Gontijo, no papel de Jesus Cristo; Floriano Peixoto, como Caifás; Pedro Nercessian, como Tiago; e Daniel Dantas, como Herodes, entre outros nomes.

À Folha, Daniel Ericsson contou que a participação dele acontece em cenas emblemáticas, nas quais o domínio e as festividades de Roma são celebrados e anunciados à população. “Deste modo o personagem é solene, empertigado e transmite mudanças importantes”, revelou. O ator também falou sobre o convite para participar da série, considerada uma das maiores produções bíblicas já realizadas no Brasil.

– Eu aceito os trabalhos onde o personagem me provoca e me torna um aprendiz de humanidades. Quando surgiu o convite eu me interessei porque pude travar contato com uma época do mundo de profundas transformações sociais e ideológicas. Estudar isso para amparar a pesquisa do personagem foi muito enriquecedor, e este é um critério que eu considero sempre que surge um convite para determinado personagem - explicou Daniel.

A preparação para o papel, segundo ele, começou pelo estudo das circunstâncias históricas, do ofício de um arauto, das figuras a quem ele anuncia e dos acontecimentos retratados na trama. Entre as referências pesquisadas por ele estão Pôncio Pilatos e Herodes Antipas. O ator também estudou o vocabulário e as particularidades da época, além de conhecer o enredo geral da produção.

– É preciso se aproximar para ter familiaridade, já que o ator está aqui e agora, mas o personagem está naquela situação - contou.

Já a caracterização física leva cerca de uma hora, entre os ajustes na altura da barba, a raspagem da cabeça, a maquiagem e a troca de figurino.

– Como a indumentária do arauto serve ao tipo de solenidade, este tempo pode ser maior. Em cenas onde o arauto está a cavalo e em situação de tomada de novo território, a vestimenta tem caráter de combate, com armadura, espada, capacete… Já em solenidades festivas o traje é mais circunstancial com sobreposições, longos tecidos e jóias - revelou. Outra etapa da preparação foi a realização de workshops de montaria. Isso porque em algumas cenas, o personagem de Daniel Ericsson aparece cavalgando.

Viver personagens históricos não é uma novidade na carreira do ator. Em “O Querido Embaixador”, ele interpretou um personagem ambientado nas décadas de 1920 e 1930. Em “Ainda Estou Aqui”, a história se passava no início dos anos 1970. No teatro, Daniel também trabalhou com diferentes épocas e recortes históricos, além de ter dirigido uma montagem sobre Noel Rosa, ambientada nas primeiras décadas do século XX.

Para Daniel, viver personagens de época tem o apelo de voltar aos livros de história e revisitar acontecimentos marcantes da humanidade “de modo que sempre é muito fascinante”. Mas o estudo, segundo ele, também traz reflexões sobre a permanência de determinados comportamentos ao longo do tempo.

– Eu diria que a maior dificuldade de viver um personagem de época é que, quando estudamos a fundo períodos da história e seus conflitos, passamos a enxergar com maior clareza que, “apesar de termos feito tudo o que fizemos, ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Evoluímos muito no sentido tecnológico, mas o drama humano se apresenta com uma apavorante recorrência no percurso histórico. Dominações, uso de força para a imposição de ideias, conquistas territoriais a custo de sangue e lágrimas… Não precisa voltar no tempo pra ver isso tudo. Infelizmente, basta assistir as notícias do dia de hoje que está tudo ali ainda - pontuou.

Além “Ben-Hur”, o ator também fez uma participação em “Amor em Ruínas”: ele interpreta um soldado de Samaria. Inspirada no Livro de Oseias (Antigo Testamento), a trama narra o casamento do profeta Oseias com Gômer. As duas séries foram gravadas ao mesmo tempo, estão na plataforma Univer Vídeo, e vão estrear na TV aberta em 2027.

– Foi a primeira vez que eu gravei duas novelas simultaneamente. Apesar de exigir muita capacidade de transitar entre personalidades tão distintas, foi incrível poder ver um recorte histórico aproximado de perspectivas tão diferentes - contou.