ENTRETENIMENTO

Grandes nomes do humor confirmam maratona de espetáculos em Cabo Frio

Atraso histórico nas obras do teatro municipal leva apresentações para clubes, hotéis e restaurantes da cidade

26 OUT 2026 • POR Redação • 13h11

A partir do próximo dia 30 os humoristas Jonathan Nemer, Leandro Leitte, Rafael Portugal, Victor Sarro, Renato Albani e Bruna Louise estarão em Cabo Frio realizando uma maratona de espetáculos de stand up comedy. Sem poder utilizar o Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb, fechado há quase 10 anos e sem previsão de reabertura, os artistas migraram as apresentações para espaços menores, como clubes, hotéis e restaurantes da cidade. 

Quem abre a agenda de shows é Jonathan Nemer, com o espetáculo “Existe Vida Após o Casamento”. A apresentação será no dia 30 deste mês, às 20h, no Hotel Paradiso Corporate. No palco, o humorista revela as verdades afiadas que ninguém te contou sobre a vida a dois. Ingressos a partir de R$ 80 pelo site Ingresso Fit.

No dia 5 de novembro o comediante Leandro Leitte apresenta o show "Hétero Afeminado" no Outros500 Bar & Restaurante do Shopping Park Lagos. O espetáculo, com sessões às 19h30 e 21h, aborda situações cotidianas e dilemas de relacionamentos. Os ingressos estão à venda pelo site Sympla a partir de R$ 45, com classificação indicativa de 16 anos.

Cria do Porta dos Fundos e do grupo A Culpa é do Cabral, Rafael Portugal se apresenta em Cabo Frio no dia 15 de novembro. O show “Tô só desabafando” será no Tamoyo Esporte Clube, no Centro de Cabo Frio, com sessão às 20h (censura 14 anos). No palco, o humorista conta um pouco das histórias mais engraçadas que aconteceram em sua vida, gerando também uma identificação com o público. Ingressos à venda a partir de R$ 70 pelo site Mega Bilheteria.

No dia 20 quem se apresenta no mesmo local é Victor Sarro, com o stand-up "O rei da quinta série". Serão duas sessões (20h e 22h) focadas na interação com o público e no improviso. As entradas custam a partir de R$ 55 no site Sympla.

No dia 22 de novembro, quem sobe ao palco do clube é o humorista Renato Albani: o espetáculo "Salve-se Quem Puder" terá sessões às 18h e 20h. O show propõe uma reflexão sobre saúde emocional e o cotidiano. Os ingressos variam entre R$ 80 e R$ 160 no site Ingresso Digital.

Também em novembro, no dia 28, às 21h, Bruna Louise apresenta o show solo "Uma Deusa, Uma Loba, Uma Feiticeira". A apresentação no Tamoyo Esporte Clube aborda temas como autonomia e liberdade feminina. Os ingressos custam entre R$ 60 e R$ 120 na plataforma Ingresso Digital, que oferece opção de ingresso solidário mediante a doação de um quilo de alimento não perecível.

A movimentação de grandes nomes do humor por outros palcos evidencia o vácuo deixado pela ausência de um equipamento cultural público na cidade. Iniciada em julho do ano passado, a última reforma do teatro municipal de Cabo Frio tinha prazo inicial de conclusão fixado em seis meses, mas, mais de um ano depois, o espaço continua fechado. A Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), responsável pela intervenção em parceria com o município, chegou a confirmar à Folha um novo adiamento do cronograma, sem apresentar justificativas detalhadas nem fixar uma nova data para o término das obras.

A morosidade contrasta com relatórios elaborados pelo Conselho Municipal de Cultura de Cabo Frio. Vistoria recente conduzida por conselheiros apontou que a maior parte da estrutura física concluída é fruto do acúmulo de intervenções de gestões anteriores, com poucos avanços recentes.

— Se a gente considerar a obra civil de pisos, lajes e telhados, ali tem 70% das coisas prontas, juntando o que já foi feito no governo passado e o que fizeram agora. De três anos para cá, o que vi de diferente foram rampas de acesso, realocação das áreas dos condensadores de ar e pintura no telhado, enquanto a caixa cênica não tem nada pronto e teve a estrutura de ferro removida - relatou à Folha o produtor, ator, diretor teatral e membro do Conselho Municipal de Cultura, José Facury Heluy.

A falta de transparência sobre o cronograma e o orçamento investido também gera críticas da classe artística. Sem acesso aos custos ou a prazos técnicos, Facury aponta que os trabalhos ainda devem demorar, no mínimo, mais seis meses para serem concluídos.