Encontro Regional de Pescadores debate avanços e demandas da pesca na Lagoa de Araruama
Evento em São Pedro da Aldeia reuniu trabalhadores, autoridades e lançou livro sobre tradições locais
A preservação da Lagoa de Araruama, a valorização da pesca artesanal e o fortalecimento do diálogo com os trabalhadores do setor foram os temas centrais do 3º Encontro Regional de Pescadores. A atividade reuniu representantes de associações e colônias pesqueiras, autoridades e entidades na orla da Praia da Pitória, em São Pedro da Aldeia, em frente à sede da Associação das Organizações da Pesca Artesanal da Laguna de Araruama, no bairro Porto da Aldeia.
Realizado no último fim de semana, o evento contou com rodas de conversa, assembleia das entidades e ações do projeto Pescando Tradições e Compartilhando Saberes, patrocinado pela Prolagos e pelo Instituto Aegea. A programação incluiu exibição de documentário, apresentações culturais, feira gastronômica, desfile de peças artesanais e o lançamento do livro Redes de Saberes, obra dedicada à memória da atividade na região.
— A Lagoa de Araruama tem uma importância ambiental, econômica e cultural muito grande para a nossa região, e os pescadores são parte fundamental dessa história. Promover esse encontro é abrir espaço para ouvir quem vive diariamente da pesca, conhecer suas necessidades e fortalecer o diálogo entre todos os envolvidos. Acreditamos que a construção de soluções passa por essa troca de experiências e pelo respeito aos conhecimentos de quem tem uma relação tão próxima com a lagoa — destacou o diretor-presidente da Prolagos, Sinval Andrade.
O diálogo aberto durante os dois dias de atividades também foi avaliado pelos profissionais da categoria como um passo essencial para o planejamento das ações comunitárias.
— O projeto Pescando Tradições é muito bacana porque fortalece a comunidade pesqueira. Já esse terceiro encontro dos pescadores é uma oportunidade de discutir o que precisa ser fortalecido nas outras comunidades, planejar os próximos passos e, principalmente, manter o diálogo, que é a parte mais importante — afirmou o pescador Francisco Guimarães, o Chico Pescador.
Além do debate institucional, o projeto Pescando Tradições ofereceu oficinas de formação e geração de renda para moradores de São Pedro da Aldeia, Cabo Frio, Arraial do Cabo e Iguaba Grande. As capacitações, executadas pelo Instituto Burburinho Cultural por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ensinaram a confecção de biojoias com escamas de peixe e conchas, iniciativa voltada ao empreendedorismo feminino no setor artesanal. Na edição de 2025, a ação beneficiou 85 pescadores e somou mais de 150 horas de cursos.
— O curso de biojoias trouxe muito mais do que o aprendizado de uma técnica. Ele mostrou para muitas mulheres que elas também podem empreender, gerar sua própria renda e conquistar mais independência. Hoje, temos mulheres que passaram a enxergar novas possibilidades de trabalho a partir de materiais que fazem parte da nossa realidade. Isso fortalece a autoestima, valoriza o nosso conhecimento e mostra a importância de criar oportunidades para as mulheres das comunidades pesqueiras — explicou a coordenadora-geral da Associação dos Pescadores Artesanais do Parque das Garças Integrada (APESCARPEGIN) e artesã, Luciana Oliveira.