Com apenas 13 anos, estudante de São Pedro alcança conceito A no vestibular da Uerj
Bernardo Manfredini, que já havia sido aprovado para Matemática ano passado, acertou mais de 75% da prova do exame de qualificação
Aos 13 anos e cursando o 8º ano do ensino fundamental, o estudante Bernardo Manfredini conquistou o conceito A no 1º Exame de Qualificação do Vestibular 2027 da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Morador de São Pedro da Aldeia, ele fez a prova pela segunda vez apenas para se autoavaliar, e acertou mais de 75% das questões. A conquista atual reforça o desempenho registrado ano passado: com apenas 12 anos ele já havia alcançado a pontuação necessária para a aprovação no curso de Matemática da mesma instituição.
Embora ainda não tenha formação escolar mínima para ingressar em uma faculdade, Bernardo contou à Folha que decidiu testar seus conhecimentos para avaliar a evolução do próprio aprendizado. Ao jornal ele contou que a prova deste ano apresentou maior grau de dificuldade em relação à avaliação de 2025, especialmente nas áreas de língua portuguesa, língua inglesa e interpretação textual.
– Eu achei legal participar ano passado e queria ver como estaria a prova deste ano, e como eu me sairia com um ano a mais de estudo. Achei essa prova mais difícil, no geral. Inglês, por exemplo, estava com muita interpretação textual, que ia bem além de falar o idioma. Língua portuguesa e interpretação textual foi o mais difícil. Na verdade, eu saí da prova achando que tinha ido bem, que ia melhorar o conceito da vez passada ou repetir o resultado, mas não achei que seria o suficiente para um conceito A. Fiquei feliz - revelou o estudante.
Apesar do ótimo desempenho, a preparação de Bernardo para a prova da Uerj não envolveu cursos pré-vestibulares. O foco do jovem está voltado para competições científicas, cujo conteúdo acaba servindo de suporte para outras avaliações.
– Como faço a prova como treineiro (estudante que presta o exame apenas para testar seus conhecimentos), eu não estudo especificamente para o vestibular. Mas eu tenho estudado muito para olimpíadas científicas com foco em matemática. Gosto de aprender sobre vários assuntos. Aí, o que se estuda para ir bem nas olimpíadas com certeza é usado em outras provas. Eu sempre quis fazer engenharia. Vou me preparar para prestar os vestibulares do IME e ITA mais para frente – explicou.
Atualmente, o jovem divide sua rotina acadêmica entre a escola regular e múltiplos programas de formação complementar. Bernardo cursa o 8º ano no Colégio Silva Serpa, é aluno da Firjan RDL, participa da turma olímpica online do curso Pensi, atua em um programa especial de treinamento para competições acadêmicas e desenvolve projeto de iniciação científica pela Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep).
– E ainda acho tempo para andar de bicicleta e jogar videogame - afirmou o adolescente.
O interesse do estudante por números e letras foi percebido pela família ainda na primeira infância. De acordo com a mãe, Luzia Manfredini, a aptidão se manifestou antes da alfabetização formal, a partir da curiosidade natural do menino por elementos gráficos ao seu redor.
– Ele sempre foi curioso com tudo. Com 1 ano já se interessava por brinquedos com letras, desses de bebê mesmo. Ainda bem novinho, começou a apontar números, placas e letreiros na rua. Ele aprendeu a ler e fazer contas antes da fase escolar, partindo de muitas perguntas dele mesmo. Na escola sempre temos conseguido parceria para trabalhar com ele e com o irmão para que possam continuar motivados - contou a mãe.
A rotina de estudos de Bernardo, segundo ela, combina a carga horária da escola com atividades no contraturno escolar.
– Ele sempre leu muito e se interessa por cursos extra, tipo música, xadrez, robótica e até skate.
Esse ano ele resolveu se dedicar mais para a matemática, e está em cursos no contra turno por opção. Então, além da escola regular, ele dedica pelo menos duas horas para matemática olímpica - revelou.
Por conta dessa dedicação, em dezembro do ano passado o adolescente conquistou a inédita medalha de bronze na 47ª Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM). Esta foi a primeira vez que um aluno da Região dos Lagos subiu ao pódio desde que a olimpíada foi criada. Realizada pela Associação Olímpica Brasileira de Matemática, a OBM é considerada a mais importante olimpíada de matemática do país e tem participação restrita. Os estudantes só chegam à competição por meio de convocações, feitas a partir de desempenho destacado em outras provas de alto nível, como olimpíadas estaduais ou nacionais. Bernardo foi chamado após se destacar na Jornada de Provas Júnior, e por ter ficado entre as 300 melhores notas da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP) de 2024, em seu nível.
A mãe, no entanto, ressalta que o planejamento para os próximos vestibulares continuará sendo definido pelo próprio estudante, sem pressão externa, e priorizando a adaptação gradual ao ambiente acadêmico.
– Apesar de se dedicar no contraturno às aulas de matemática, ele quis continuar com as atividades que já fazia, então tentamos encaixar o que dá, junto com tempo para brincar, ver TV e passear. Na verdade, prestar ou não novo vestibular vai depender dele mesmo. Ele queria participar fazia tempo já, e acabou gostando da experiência. Se quiser continuar, contanto que não vire cobrança nem obrigação, e que não atrapalhe em época de outras provas, a gente vai tentar dar oportunidade, até para que quando chegue a hora dele escolher um curso para valer, já esteja acostumado com o ambiente acadêmico, e saiba que pode ir sem medo - concluiu Luzia.