DIREITOS HUMANOS

Parada LGBT de Cabo Frio vai parar na Justiça e evento deve ser adiado para novembro

Juíza convoca audiência especial com Prefeitura, Grupo Iguais, Polícia Militar e Bombeiros para resolver impasse e definir estrutura do evento, inicialmente anunciado para setembro

17 AGO 2026 • POR Redação • 09h51

Pelo segundo ano consecutivo, a realização da Parada LGBTI+ de Cabo Frio virou alvo de impasse. A disputa em torno da organização, e da data do evento, foi parar na Justiça. O evento chegou a ser confirmado para o próximo dia 6 de setembro, mas a previsão atual é de que a manifestação seja transferida para 1º de novembro.

A juíza Sheila Draxler Pereira de Souza, da 2ª Vara Cível da Comarca de Cabo Frio, convocou uma audiência especial para o próximo dia 26, às 15h30, por conta de uma Ação Civil Coletiva movida pela Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro contra o Município. No despacho, a magistrada justificou a convocação por conta da complexidade da organização e da necessidade de ouvir as partes antes da realização do evento.

De acordo com o documento que a Folha teve acesso, foram convocados para a reunião o prefeito Serginho Azevedo, o secretário de Cultura (Carlos Ernesto Lopes - Carlão), além de representantes da Defensoria Pública, do Grupo Iguais, e dos comandantes do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar para alinhar os requisitos de segurança e ordenamento público.

Em conversa com a Folha, o presidente do Grupo Iguais, Rodolpho Campbell, disse que a entidade deu entrada no processo administrativo (para realização da parada) em janeiro deste ano. Na ocasião foram apresentadas três opções de datas, sendo 6 de setembro a principal, e 1 de novembro como terceira possibilidade. 

– Só que Carlão respondeu que iria abrir um edital convocando todas as ONGs para organizarem juntas a parada. Falei “ok, vamos lá, vamos organizar todo mundo junto, sem problema nenhum”. Só que eles não fizeram isso no ano passado, esse ano não convocaram ninguém até agora, e já estão divulgando as coisas. Já soubemos que querem trazer Maria Gadú. Como, se até agora não teve nenhuma reunião com a gente? - questionou Rodolpho.

A reportagem da Folha dos Lagos procurou a Prefeitura de Cabo Frio para questionar sobre a ausência de convocação das entidades sociais para o planejamento conjunto, sobre a definição do formato da Parada deste ano e sobre o anúncio de atrações musicais, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.

O impasse atual não é novidade. No ano passado a Prefeitura indeferiu a licença para a Parada, organizada há 20 anos pelo Grupo Iguais, alegando conflito de agenda com eventos religiosos e infantis. Na ocasião, o município promoveu um evento paralelo na Praia do Forte com show da cantora Ana Carolina, enquanto a manifestação tradicional do movimento LGBTI+ foi suspensa.