Cultura

Revista Nossa Tribo retoma circulação em Cabo Frio

Criada pelo jornalista José Correia, publicação dedicada à história e cultura regional chega à 30ª edição resgatando acervo de pesquisas e revelações sobre o território

1 AGO 2026 • POR Redação • 20h03

Depois de um intervalo de seis anos, a revista Nossa Tribo, do jornalista José Correia, está de volta. A edição de relançamento chegou ao público neste mês de julho com reportagens sobre o centenário da ponte Feliciano Sodré, a temporada das baleias e o K-36 (o zeppelin que caiu em Arraial do Cabo) entre outros assuntos.

Lançada pela primeira vez em 2009, a revista teve circulação  suspensa pouco tempo depois, quando José Correia assumiu a Secretaria Municipal de Cultura de Cabo Frio. A retomada do projeto aconteceu em 2013, com circulação bimestral, e depois trimestral, e seguiu até 2020, quando chegou a pandemia.

– A Covid determinou a suspensão da edição da revista, na medida em que se acreditava que o vírus sobrevivia por 72 horas em qualquer superfície. Mas havia uma vontade de retorno. Este momento em que a ponte Feliciano Sodré completa 100 anos foi a senha para retomarmos o caminho, na medida em que a linha da revista é voltada para temas da história, literatura, artes, enfim, o perfil da cultura regional, valorizando o que se pensa e o que se produz em nosso território – contou José Correia em conversa com a Folha. 

Com esta edição de relançamento, já são 30 edições publicadas da revista Nossa Tribo, que vai contar histórias divididas em um total de 16 páginas.

– Mudamos de gráfica, uma das melhores do Rio de Janeiro. Mas a linha (editorial) continua a mesma: história, meio ambiente, literatura, ensaios, informações culturais, arte, o que se relaciona à criação e à pesquisa sobre o nosso território – revelou José Correia.

Sobre o processo de criação das pautas, o jornalista lembra que o fato de a revista ser trimestral ajuda a pensar melhor cada edição. Os textos, segundo ele, “são bem trabalhados, procurando sempre revelar aspectos culturais e históricos que muitas vezes passam despercebidos”. 

– Há um conteúdo muito bom que é aproveitado por alguns professores como fonte de pesquisa. Como sempre tivemos a colaboração de escritores e pesquisadores importantes de Cabo Frio e de nossa região, isso reforça a revista. Creio que muitos textos, entrevistas e pesquisas marcaram essas edições. Por exemplo, cito, de memória, a entrevista com o piloto da Aeronáutica, o cabo-friense Francisco Ferreira Novellino, quando no dia 21 de maio de 1951 passou por debaixo da ponte Feliciano Sodré com o monomotor que pilotava. Uma revelação: acreditava-se que João Querubim havia sido morto em 1 de janeiro de 1907 no Centro de Cabo Frio com apenas um tiro: através de pesquisa descobrimos que, como marca da violência naquele momento, ele havia sido morto com 13 tiros. Outra revelação que se deve à pesquisa: Cabo Frio não é a sétima cidade mais antiga do Brasil, mas a quinta. Oficialmente há uma dificuldade do município aceitar essa informação. Parece que o número sete é forte, é cabalístico. Mostramos que a informação da Igreja Matriz, de que foi erigida em 1615, é equivocada. Também que os primeiros habitantes da cidade de Cabo Frio a partir de 1615 foram os Goitacás vindos do Espírito Santo. Enfim, cada número é uma revelação – contou José Correia.

Sobre a reestreia da revista, ele afirma que os leitores podem esperar por muitas novas histórias e revelações.

– Entendo que, numa boa, há um quixotismo no que fazemos, que é procurar vencer os moinhos da indiferença e de um sério desconhecimento dos valores de nossa terra e de nossa gente. O que também nos dá força é o apoio daqueles amigos que amam as nossas coisas. Depois de seis anos, a cidade revela muitas mudanças. E, como sempre, temos de procurar vencer os desafios – contou.