ESPORTE

Emissora de Cabo Frio quebra barreiras e cobre a Copa do Mundo nos EUA

Equipe da TV Litoral News acompanha os passos da seleção brasileira em solo americano, e expande atuação com cobertura simultânea do Flamengo na Europa

3 JUL 2026 • POR Redação • 16h20
Sidnei Marinho, Renata e Marcelo fazem a cobertura da Copa do Mundo direto dos Estados Unidos - Litoral News

Neste domingo (5), às 17h, a seleção brasileira enfrenta a Noruega pelas oitavas de final da Copa do Mundo, em Nova Jersey, nos Estados Unidos. Mais uma vez, a TV Litoral News, de Cabo Frio, estará no local realizando a cobertura completa dos bastidores. Com transmissões focadas no Instagram (@litoralnewsbrasil) e no YouTube (@LitoralNews), a equipe cabo-friense acompanha de perto os treinos, o cotidiano e a caminhada da seleção brasileira, ao lado de grandes veículos internacionais.

A operação da emissora de Cabo Frio no mundial é liderada pelo narrador esportivo Sidnei Marinho e pelo filho dele, o repórter Marcelo Marinho, que atuam na frente das câmeras. O trabalho em família continua nos bastidores: a estrutura no exterior também conta com o suporte de Renata Marinho, esposa de Sidnei.

— Hoje em dia, os acessos são mais limitados do que eram antes. Entretanto, é possível produzir conteúdo jornalístico de qualidade, sem apelação e baseado nos fatos. Esse talvez seja o maior desafio que vencemos todo dia. Levar conteúdo jornalístico de qualidade para nosso público - contou o narrador, que acumula a experiência de sete mundiais cobertos por diferentes veículos desde 1990, sendo esta a terceira Copa do Mundo com cobertura pela TV Litoral News. 

Para Sidnei Marinho, a edição mais marcante de sua carreira foi a de 1994, nos Estados Unidos, em função do título que o país perseguia desde 1970. Já em termos de complexidade logística, ele aponta a Copa de 2002, realizada conjuntamente no Japão e na Coreia do Sul, como a mais difícil, devido aos deslocamentos complexos e ao forte choque cultural. E mesmo diante do tamanho do evento, o narrador explica que a TV Litoral News conquistou uma posição de respeito entre os atletas e os profissionais de imprensa presentes no torneio.

— A Litoral News é muito querida e respeitada por todos: colegas de imprensa, gestores da CBF, jogadores. O fato de estar sempre ao vivo nos jogos, ajuda muito. Marcelo rodou o mundo nos últimos anos junto com a seleção. Sem contar minha vivência em Copas desde 1990. Ocupamos um espaço importante nesse cenário, graças a Deus - revelou.

Como a Litoral News não tem direito de transmissão dos jogos da Copa do Mundo, durante os confrontos da seleção brasileira Sidnei, Renata e Marcelo se permitem assumir o papel de torcedores. Em um desses momentos, durante Brasil x Japão, na última segunda-feira (29), Marcelo Marinho virou notícia global. O repórter foi flagrado pelas câmeras oficiais de transmissão da Fifa enquanto cantava o hino nacional de forma emocionada na arquibancada. A imagem rapidamente viralizou e ganhou repercussão no mundo inteiro.

— Nesse momento do hino passa tudo na cabeça, passa o amor que você tem pelo Brasil. E o futebol é uma das poucas coisas que nos une enquanto país, e é muito bonito ver isso. Nesse terceiro jogo eu fechei os olhos na hora do hino: eu estava muito emocionado mesmo. E na hora em que abri os olhos, o câmera-man da Fifa estava na minha frente. A única reação que eu tive naquele momento foi extravasar o meu desejo de alguma forma contagiar as pessoas com o amor que eu sinto pela seleção, porque foi um momento que o estádio todo cantou. Confesso que eu tava todo me tremendo de emoção. É o sentimento de quem acompanha a seleção brasileira de perto, de quem está em todos os jogos cobrindo a seleção, e de quem quer muito ver a seleção brasileira campeã do mundo - contou Marcelo em conversa com a Folha.

O repórter esportivo revela que a forte ligação com a seleção brasileira vem desde a infância, e foi herdada diretamente do pai, Sidnei Marinho. 

– seleção brasileira sempre foi uma coisa que mexeu muito comigo. Sempre fui muito apaixonado. Provavelmente herdei isso do meu pai. Minha primeira memória de vida é da minha mãe pintando o meu rosto. Na Copa do Mundo de 2002 eu não lembro dos jogos (eu tinha três anos), mas lembro do ambiente. A Copa de 2006 eu lembro onde eu estava em cada jogo, o que eu estava fazendo em cada partida, que foi a primeira Copa que eu acompanhei. Eu tinha sete anos, e lembro da eliminação do Brasil contra a França, ouvindo meu pai, chorando horrores. É inevitável você estar na cobertura da seleção e não torcer pela seleção. É claro que isso não pode fazer você não dar as informações que você tem que dar, as notícias que você tem que dar. Quando as notícias são ruins, você cumpre o seu papel de jornalista. E é melhor ainda quando as notícias são boas. Eu acho que é um combustível, sabe? Ir do outro lado do mundo, acompanhar a seleção brasileira, cobrir os treinos, acompanhar os jogos, estar na Copa do Mundo... É um combustível, é de verdade. Essa coisa de você, de alguma maneira, sentir aquilo que os jogadores estão sentindo e transmitir isso para as pessoas que estão acompanhando. Acho que a grande coisa que eu sempre tento passar para quem acompanha é transmitir também um pouquinho desse sentimento de quem está aqui, levando as informações, mas transmitindo o sentimento para quem não pode estar aqui - contou Marcelo.

À Folha, Sidnei contou que a preparação para esse desafio internacional começou há três anos. De acordo com ele, o planejamento logístico detalhado precisou aguardar as definições oficiais da competição para ganhar corpo.

— Nossa equipe começou a se preparar para a cobertura da Copa ainda em 2023. Claro que precisamos aguardar o sorteio de grupos e tabela para fechar as alternativas de logística, como hospedagens, viagens e estrutura da cobertura em si. Contamos com o patrocínio de muitas empresas importantes da nossa região e com a força de trabalho de nosso time - explicou.

A jornada da equipe rumo à Copa do Mundo começou no dia 18 de maio, acompanhando a convocação oficial da Seleção, e continuou pelo período de preparação na Granja Comary, em Teresópolis, e também pelos amistosos pré-Copa. Nos Estados Unidos, os trabalhos começaram no dia 1 de junho, quando Marcelo viajou para um dos três países sede, enquanto Sidnei e Renata embarcaram dois dias depois.

No último domingo (28), a cobertura internacional ganhou um desdobramento. Sidnei e Renata deixaram os Estados Unidos e viajaram para Portugal, onde transmitem os bastidores dos jogos do Flamengo. O rubro-negro segue em intertemporada de duas semanas em Portugal, onde disputa o Troféu Algarve durante a pausa do calendário para a Copa do Mundo.

— Eu e Renata viemos para Portugal transmitir os jogos do Flamengo, mas voltaremos para a fase final da Copa nos EUA. Transmitir o Flamengo com exclusividade para o Brasil era uma oportunidade única. Foi desafiador, mas viemos pra cá, e as duas coberturas, seleção e Flamengo, tem apresentado resultados fantásticos - pontuou o narrador, que acredita nas chances do hexacampeonato. “A seleção está no caminho certo. Não ser a grande favorita é bom. Acho que vamos crescer ao longo da competição e acredito que a força do conjunto nos levará ao hexa”, revelou.

Enquanto os três profissionais atuam no exterior, uma equipe de mais dez profissionais dá o suporte em território nacional coordenados por outro filho do narrador, Sidão Marinho. A filha, Larissa Marinho, e o genro, Patrick Alegre, atuam nos processos e na agilidade da cobertura, garantindo velocidade e precisão em todas as plataformas.

Para o Sidnei, comandar uma cobertura desse porte mantendo o núcleo familiar no centro das decisões é uma rotina que exige equilíbrio. Ele aponta a presença da esposa como o pilar de sustentação da equipe técnica.

— Renata, com sua experiência de quase 30 anos na área, e com a sabedoria que tem, é o equilíbrio de nossas decisões. Já tínhamos feito a Copa de Clubes juntos no ano passado. Marcelo foi sozinho ao Catar em 2022. Mas é uma grande benção de Deus podermos estar juntos no trabalho.

Marcelo concorda com o pai, e expressa o orgulho de consolidar o sonho de infância de trabalhar diretamente com o futebol ao lado da família.

— Trabalhar em família, compartilhar essa experiência, é o que me deixa emocionado, porque o grande sonho que eu sempre tive foi trabalhar com isso, com cobertura do futebol. O grande sonho de quem é jornalista esportivo é estar em uma Copa do Mundo. E eu sempre tive um sonho de trabalhar com a minha família, trabalhar com meu pai desde pequenininho, indo para a cabine do Maracanã, acompanhando ele. Querendo ou não, isso foi plantando uma sementinha ali. Então, é muito especial poder aprender, conviver e estar junto nessa cobertura. E também ver que as pessoas olham para a gente e reconhecem que somos uma família que trabalha junto, que está aí na luta, no dia a dia, na caminhada. As conquistas não são individuais, elas são de todos nós. Quando acontece, por exemplo, o momento de eu aparecer, e alguém falar “olha lá, o filho do Sidnei”, isso me deixa muito feliz, porque além de admirá-lo como pai, eu admiro também como profissional, assim como admiro a meu irmão, minha irmã e minha mãe, que trabalham com a gente.