MEIO AMBIENTE

Estudo alerta para redução de áreas verdes e avanço da degradação no Peró, em Cabo Frio

Levantamento feito por um engenheiro aponta que árvores estão sendo arrancadas por moradores e comércios. Prefeitura foi questionada sobre fiscalização e plano de arborização, mas não respondeu

14 JUN 2026 • POR Redação • 12h30
Estudo revela que há anos as áreas verdes do Peró estão sendo degragadas - Rafael Guedes.

A arborização urbana do bairro Peró, em Cabo Frio, sofreu um agravamento significativo nos últimos anos. É o que aponta um estudo recente feito pelo engenheiro de produção Rodolfo Cardoso. Frequentador do bairro desde 2012, ele adquiriu uma residência no Peró em novembro do ano passado, e decidiu mapear a situação.

O levantamento lembra que a arborização do Peró nunca foi abundante. Desde o início da ocupação imobiliária, condomínios e loteamentos passaram a substituir extensas áreas de Mata Atlântica e restinga no bairro. No entanto, o estudo recente comprova que a situação piorou nos últimos anos, transformando diversas ruas em corredores de concreto e asfalto, com cada vez menos sombra, biodiversidade e qualidade ambiental. O contraste chama ainda mais atenção porque o Peró é um bairro que abriga a primeira praia do interior fluminense a conquistar a certificação internacional Bandeira Azul, reconhecida por critérios rigorosos de qualidade ambiental, sustentabilidade e educação ecológica. 

Para realizar o levantamento, Rodolfo utilizou imagens históricas do Google Earth, comparando a evolução da paisagem urbana e constatando a redução da cobertura vegetal em diversas vias do local. Segundo o engenheiro, além da retirada gradual de árvores, muitas áreas antes ajardinadas perderam a manutenção, contribuindo para o aspecto árido observado atualmente.

– Fiquei impressionado com o nível de degradação. Eu já tinha essa percepção por frequentar o bairro há anos, mas resolvi confirmar por meio de um mapeamento, rua por rua, utilizando a tecnologia do Google Earth. A arborização diminuiu, o asfalto se deteriorou e muitos jardins, que antes eram bem cuidados e valorizavam o espaço urbano, foram abandonados - relata o engenheiro.

Diante do cenário de abandono de jardins e da supressão de árvores citado no estudo, a reportagem da Folha enviou uma série de questionamentos à Prefeitura de Cabo Frio, mas não obteve nenhuma resposta até o fechamento desta edição. O município foi questionado sobre como funciona a fiscalização da Secretaria de Meio Ambiente para coibir e punir a supressão não autorizada de vegetação urbana, e quantas autuações, multas ou notificações por corte ilegal de árvores foram aplicadas no Peró nos últimos dois anos. A reportagem também perguntou quais foram as ações de compensação exigidas para os novos empreendimentos e condomínios licenciados, e se existe um plano diretor de arborização específico para o Peró devido ao selo Bandeira Azul. Solicitou, ainda, o cronograma atual de zeladoria, manutenção de canteiros e reposição de paisagismo para as vias do bairro, mas a administração municipal manteve silêncio.

O estudo de Rodolfo aponta que condomínios, moradores e até empreendimentos comerciais continuam derrubando árvores por conta própria e sem reposição adequada. O engenheiro reforça que, embora muitas espécies não sejam nativas, ou consideradas de elevado valor paisagístico, elas desempenhavam papel importante na amenização do calor, na retenção de poeira, na absorção de carbono e na melhoria da qualidade de vida dos moradores.

– Infelizmente, houve supressão de árvores sem que fossem adotadas medidas efetivas de compensação ambiental. Muitas vezes prevalece a preocupação com custos de manutenção ou comodidade, enquanto são ignorados os benefícios ambientais, paisagísticos e sociais proporcionados pela vegetação urbana. Recuperar o verde do Peró não exige grandes investimentos, mas vontade política, conscientização e amor pelo bairro - afirma.

Preocupado com o cenário, o engenheiro pretende lançar uma campanha de mobilização comunitária para incentivar a arborização das ruas do bairro. A proposta envolve moradores, síndicos, comerciantes e veranistas, além de cobrar maior participação do poder público. Ele lembra que a Prefeitura de Cabo Frio disponibiliza gratuitamente até duas mudas por morador através do Horto Municipal. No entanto, ressalta que o sucesso da arborização depende da escolha adequada das espécies, do plantio correto, da adubação, da utilização de estacas de sustentação e da irrigação durante o período inicial de desenvolvimento.