Cultura

Filme russo é o vencedor do Festival Internacional de Cinema de Cabo Frio

Ao todo foram 14 categorias premiadas na primeira edição do FINCCA

23 MAI 2026 • POR Redação • 12h40
O grande vencedor da mostra competitiva foi o longa-metragem russo "Névoa" (Fog), da diretora Natalia Gugueva. - Aquivo / Fincca

Após quatro dias de muitas atividades sobre a sétima arte, o primeiro Festival Internacional de Cinema de Cabo Frio (FINCCA) chegou ao fim no último domingo (17). Ao todo foram inscritos 181 filmes de oito países (Espanha, Itália, Alemanha, Portugal, Rússia, Quênia, Argentina e Brasil) e três continentes (América, Europa e África), além de 226 de fotografias e 90 de poesias. Desse total, 33 filmes foram selecionados para exibição (10 longas-metragens e 23 curtas e médias), todos com a temática do mar. Foram mais de 22 horas de exibição cinematográfica entre os dias 14 e 17 deste mês. Também foram selecionadas 20 fotografias para a exposição “Retratos do Mar”, e 10 poesias para a mostra “Poesias do Atlântico”. O resultado, segundo os organizadores, superou as expectativas, com todas as nove sessões de cinema (mostras nacionais e internacionais) e sete mesas de debate praticamente lotadas.

O grande vencedor da mostra competitiva foi o longa-metragem russo “Névoa” (Fog), da diretora Natalia Gugueva. O filme, que já havia sido um dos destaques do Festival Internacional de Cinema de Moscou, levou o Prêmio Tartaruga Aruanã de Melhor Filme do FINCCA, e também acumulou o título de Melhor Roteiro. 

– Sou muito grata ao festival e aos membros do júri, que avaliaram tão positivamente o nosso trabalho e premiaram nosso filme “Névoa”. Ele fala sobre a difícil escolha de uma mulher entre seu homem amado e sua filha. É uma história de amor e ódio, de culpa e perdão entre pessoas próximas. Filmamos no norte da Rússia, na Tundra Ártica, em condições climáticas adversas, na estação meteorológica mais antiga do mundo, que existe há mais de 130 anos, e ainda está em funcionamento. Era muito importante pra gente criar uma sensação de documentário no que estava acontecendo. Por isso, mergulhamos nossos atores nessas condições climáticas difíceis, e tentamos criar a sensação de ilha deserta, onde nossos personagens pudessem mergulhar profundamente em sua alma e coração, estando longe de toda comunicação, e da civilização, para resolver as questões mais profundas e importantes da sua existência. Mais uma vez, agradeço, sinceramente, pela tão alta avaliação do nosso filme. Tudo de bom a todos – disse a diretora Natalia Gugueva. 

Além da entrega pessoal dos troféus aos diretores, poetas e fotógrafos vencedores, o Festival também recebeu depoimentos em vídeos enviados por diretores e atores de outros estados brasileiros, como São Paulo, Paraná e Ceará, e países como Espanha e Rússia. Um deles foi do diretor cearense Armando Praça, de “Fortaleza Hotel”, filme vencedor de Melhor Longa Nacional e Melhor Direção de Arte.

– Para mim é uma honra, e uma alegria enorme, estar sendo premiado duplamente nesse festival que está nascendo agora. Quero agradecer profundamente ao júri, ao FINCCA, ao público que compareceu às sessões. Parabenizar a iniciativa de mais um espaço de difusão do audiovisual brasileiro – comemorou.

Outro filme que ganhou destaque no festival foi o espanhol “Quando o Rio vira Mar” (Quan un riu esdevé el mar), que levou dois prêmios: Melhor Direção para Pere Vilá Barceló, e de Melhor Atuação (entre atores e atrizes) para Clau Hernández, protagonista do longa-metragem. A produção já havia conquistado título de Melhor Filme (Violette d'Or), Melhor Roteiro e Melhor Ator para Alex Brendemühl no Festival de Cinema Espanhol de Toulouse (Cinespanã), na França, além de ter sido premiado no Festival Internacional de Cinema de Karlovy Vary, o maior festival de cinema da República Tcheca e o mais prestigiado da Europa Central e Oriental.

– Estamos muito agradecidos, de verdade, tanto pelo prêmio de direção quanto para Claud Hernández. Foi um trabalho de muitos anos de colaboração, com muitas associações de mulheres aqui da Espanha, que deram seu testemunho doloroso do que viveram, de violência machista. E o resultado de tudo isso foi este filme. Toda equipe quer agradecer pelo acolhimento e por estes prêmios. Muitíssimo obrigado e um forte abraço aqui da Espanha – disse o diretor Pere Vilá Barceló. 

Além do prêmio do FINCCA, a protagonista de “Quando o Rio vira Mar”, Clau Hernández, já havia levado o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Europeu de Lecce, em 2025, na Itália. Ela também enviou vídeo falando do trabalho, e da mensagem que a produção tentou passar.

– Muito obrigada por este prêmio. Estou profundamente grata ao festival FINCCA por isso. Também queria dizer que pude entregar essa atuação graças a todas as mulheres que compartilharam comigo suas histórias de serem sobreviventes de situações de violência de gênero. Representar todas as pessoas que vivenciaram essa situação, espero ter conseguido. Acho que este filme é muito necessário no momento atual, quando há tanta violência acontecendo. Este trabalho é sobre realmente passar por esse processo e ser capaz de se conectar com as pessoas, com amor e de coração, sem usar a violência ou medo com os outros. Então, muito obrigada pelo prêmio. Não estou aí esta noite, mas espero que possamos nos encontrar pessoalmente algum dia. Muito obrigada – disse a atriz.

Coordenadora-geral do FINCCA, Marina Makhohl disse à Folha que o primeiro Festival Internacional de Cinema de Cabo Frio foi marcado pela alta qualidade dos trabalhos, dos debates e da participação do público. Ela também deixou no ar a possibilidade de novas ações.

– O FINCCA foi, realmente, um sucesso em todos os aspectos. Tivemos sessões na Universidade Veiga de Almeida e na UERJ, e mesas de debates que foram interessantíssimas, com os diretores dos filmes ou representantes. Foi muito participativo, muito bem trabalhado, com pessoas muito interessadas. Elas saíam de todas as sessões elogiando e agradecendo muito pela iniciativa, e isso foi muito gratificante. Na Casa Scliar também tivemos todas as sessões lotadas. Além dos filmes, a gente também teve as fotografias no Museu de Arte Religiosa e Tradicional, umas mais lindas que a outra. As poesias ficaram expostas na Casa Scliar. Então, tivemos essas três frentes paralelas de mostra competitiva.