CULTURA E ARTE

Luizie lança videoclipe que exalta as paisagens de Tamoios e Barra de São João

Artista cabo-friense une MPB contemporânea e pop alternativo em novo trabalho autoral e aposta na estética do romance tropical com produção independente

7 MAI 2026 • POR Redação • 09h11
"Todo Que Se Quer" vem pra consolidar o trabalho de Luizie, que está há quatro anos no mercado - Foto: Rennan Monteiro / ARG Audiovisual

O cenário artístico da Região dos Lagos ganha um novo capítulo com o lançamento de “Todo Que Se Quer”, o mais recente videoclipe do artista Luizie. A música fala sobre desejo, afeto e busca por realização, mas com leveza e bom humor. Também questiona a ansiedade de querer tudo, e lembra que aquilo que procuramos muitas vezes começa dentro de nós.

– Um trecho que sintetiza bem essa ideia é: “Sem estresse, não se apresse / que toda ânsia de ter / não consuma o nosso sonho / não consuma o prazer.” No meu momento atual, essa canção representa amadurecimento artístico. É um trabalho ousado, que brinca com idiomas e referências de forma consciente. A música passa pelo português, inglês, espanhol e ainda traz um aceno final em japonês. Vejo “Todo Que Se Quer” como um sinal claro de crescimento: uma obra mais segura, mais inventiva e mais alinhada com a artista que estou me tornando - revela o artista.

“Todo Que Se Quer” vem pra consolidar o trabalho de Luizie, que está há quatro anos no mercado.  Em 2024 ganhou destaque na Folha com o lançamento do primeiro clipe de sua carreira, que ilustrava a música “Afeto Ruim”, uma composição autoral que aborda, de modo sensível, as complexas emoções da despedida e a aceitação dos vínculos que se encerram.

– Sempre fui uma pessoa artística e criativa, realizando pequenos projetos ao longo da vida, mas ainda sem transformar isso em um caminho assumido e contínuo. Acho que o primeiro estágio de todo artista é se reconhecer como artista, e esse entendimento leva tempo. Antes de mergulhar integralmente na música, eu estava dedicado à minha graduação em Produção Cultural, concluída em 2022. Nesse período, senti uma necessidade muito forte de expressar minha poética, minha criatividade e minha linguagem própria. A música surgiu como um encontro entre composição, sensibilidade e narrativa. Até o momento, minha trajetória reúne quatro singles oficiais e três faixas alternativas, entre releituras, remixes e reformulações de músicas já lançadas. Tudo começou com “Lembrar de Você” (2022). Em seguida veio meu primeiro EP, “AMEMEAME” (2023), um projeto muito importante para mim. Em 2024, lancei “Afeto Ruim”, que marcou também meu primeiro videoclipe. Já em 2026, chega “Todo Que Se Quer”, que representa uma fase mais madura, com composições mais refinadas e uma visão artística mais consolidada. Vejo esse novo ciclo como um passo importante de evolução - explicou.

O novo trabalho também dialoga com um próximo projeto em desenvolvimento, onde o cantor diz buscar maturidade estética, musical e conceitual. À Folha, Luizie disse que nos próximos lançamentos quer revelar com ainda mais clareza sua identidade artística e o caminho que está consolidando. 

– Minha identidade musical nasce da MPB contemporânea, mas dialoga diretamente com o pop alternativo. É um trabalho que mistura sensibilidade brasileira com elementos eletrônicos, synthpop e diferentes experimentações sonoras. O pop, para mim, é uma linguagem ampla, que busca conversar com muitas pessoas sem perder personalidade. Ao mesmo tempo, o lado alternativo aparece justamente na liberdade de experimentar formatos, texturas e referências. É uma identidade em constante construção. Gosto de pensar minha música como um encontro entre emoção, inventividade e comunicação - revelou.

Já a construção dessa identidade passa por influências de peso. No campo afetivo e do imaginário pop, Luizie cita o grupo Rouge, revelando que foi uma referência marcante de performance, identidade e música pop brasileira. 

– Também me influenciam artistas como Marina Lima, Lulu Santos, Cazuza, Djavan e outros nomes da música brasileira que unem poesia, personalidade e trajetória artística consistente. No cenário atual, Anitta também é uma grande referência, especialmente pela forma como conduz a própria carreira, defende seus projetos e mostra que é possível pensar arte com visão estratégica. Internacionalmente, nomes como Pet Shop Boys, Robyn, Lady Gaga e Charli XCX dialogam com meu universo sonoro por criarem paisagens pop inventivas e marcantes - enumerou.

Nascido em Duque de Caxias, Luizie conta que se mudou para o distrito de Tamoios, em Cabo Frio, logo no primeiro ano de vida, construindo uma forte relação de pertencimento com o local e se definindo como tamoiense de coração e de vivência. “É aqui que reconheço meu senso de casa, de memória e de identidade. Toda a minha trajetória afetiva está ligada a esse lugar”, contou, lembrando que essa forte relação com a Região dos Lagos também influencia profundamente seu trabalho.

– Existe uma atmosfera de contemplação, nostalgia e sensibilidade que atravessa minhas composições. O mar, a luz, a maresia, o horizonte aberto e o ritmo menos acelerado da vida litorânea criam um estado de reflexão muito presente em mim. Minhas músicas costumam falar de afeto, memória, desejo e sentimento, e tudo isso dialoga com esse cenário. Da minha primeira música até os lançamentos atuais, essa presença da natureza e dessa energia costeira sempre esteve comigo. Minhas canções sempre partem de algo íntimo, mas buscam alcançar o outro de forma sensível e verdadeira. Levo meu trabalho com muita seriedade e dedicação. Para mim, fazer arte é quase um gesto espiritual: exige entrega, disciplina e propósito. Também acredito que o artista cria universos. A arte tem a capacidade de ressignificar a realidade, revelar novas belezas e convidar as pessoas a sentirem o mundo de outras maneiras. Meu desejo é seguir criando, encontrando apoiadores e ampliando esse caminho para que cada vez mais pessoas possam se conectar com essa proposta - explicou.

Não foi por acaso que Luizie escolheu Tamoios e Barra de São João como locações para o novo videoclipe. Ao jornal o artista explicou que desde que compôs “Todo Que Se Quer”, já sabia que o videoclipe seria nesses dois cenários. 

– Queria traduzir visualmente essa ideia de romance tropical, liberdade e contemplação. Tamoios e Barra de São João não são apenas locações bonitas: são lugares carregados de memória, identidade e conexão pessoal. Existe uma homenagem implícita nessa escolha. Essas paisagens acrescentam ao clipe a sensação de paraíso, amplitude e paz. Os espaços abertos, a natureza e a fluidez das imagens ajudam a transportar o público para esse universo íntimo e sensível que a música propõe. É verdade que tivemos muitos desafios nessa jornada: equipe reduzida, limitações estruturais e a necessidade de otimizar cada recurso disponível. Mas acredito que o maior desafio não seja apenas produzir, e sim fazer esse trabalho chegar às pessoas. Divulgar, circular e conquistar visibilidade para uma obra independente ainda é uma etapa complexa. A arte sempre encontra caminhos para existir. O desafio maior é fazer com que ela seja vista, reconhecida e compreendida em sua profundidade - pontuou.

Nessa missão inicial, o projeto contou 100% com uma equipe local. O estúdio ARG foi responsável pela captação de imagem e fotografia. Já a direção criativa, concepção estética e edição do videoclipe ficaram sob responsabilidade de Luizie.

– Foi uma escolha artística importante para preservar o olhar que eu desejava transmitir sobre a música e sobre a região. Em produções independentes, muitas vezes é necessário acumular funções e transformar criatividade em solução. Por isso, vejo a cena da música independente em Cabo Frio muito rica e diversa, com artistas talentosos produzindo trabalhos relevantes em diferentes gêneros. Existem movimentos fortes ligados ao rap, trap, samba, MPB, eletrônico e outros estilos. Ao mesmo tempo, percebo que muitos artistas acabam circulando em nichos específicos. No meu caso, por desenvolver uma proposta pop alternativa, acabo ocupando um espaço ainda pouco explorado na região, o que traz um certo pioneirismo, mas também alguma solidão artística. Acredito que existe espaço para novos artistas autorais, sim. O que ainda precisa crescer são as pontes de apoio, visibilidade e valorização contínua para que mais projetos possam florescer - alertou.

Até o final deste ano Luizie diz que o público pode esperar novos lançamentos, presença digital mais intensa “e a continuidade desse universo criativo que venho construindo tanto em conteúdos musicais quanto visuais”. Para isso, convida o público a acompanhar tudo através do seu Instagram (@dluizie) e do canal no You Tube (@luizie).