MEMÓRIA E FUTURO

Estudantes de Jornalismo da UVA analisam legado da Folha dos Lagos em pesquisa acadêmica

Trabalho desenvolvido para a disciplina de Jornalismo Investigativo utiliza o jornal como estudo de caso para compreender o papel da comunicação regional e o impacto da marca nos 36 anos de história

1 MAI 2026 • POR Redação • 12h27
Os estudantes Tainá Quintanilha de Azevedo e Vitor de Mendonça - Rodrigo Cabral

A Folha dos Lagos celebra 36 anos de circulação, consolidando-se como uma referência histórica na comunicação do interior do estado do Rio de Janeiro – a primeira edição saiu no dia 30 de abril de 1990. Esse legado, construído ao longo de quase quatro décadas, atravessa gerações e vem se tornando objeto de estudo acadêmico pelas mãos de quem se prepara para assumir as redações do futuro. Os estudantes Tainá Quintanilha de Azevedo e Vitor de Mendonça, por exemplo, escolheram o jornal como foco de um trabalho desenvolvido para a disciplina de Jornalismo Investigativo da Universidade Veiga de Almeida (UVA), campus Cabo Frio.

Embora estejam em períodos diferentes na graduação (Tainá cursa o quinto período, e Vitor, o quarto), os dois universitários estão desenvolvendo a pesquisa em dupla: uma proposta acadêmica voltada à prática da apuração e ao aprofundamento do olhar crítico sobre o fazer jornalístico. O foco central do estudo, segundo Tainá, é compreender o papel e os objetivos do jornalismo na atualidade, especialmente dentro da realidade regional. A proposta, segundo ela, levou a uma análise sobre como o jornalismo vem sendo exercido na Região dos Lagos, além de provocar uma reflexão sobre a queda na procura dos jovens pelo curso de Jornalismo e os possíveis motivos por trás desse cenário. Já a escolha pela Folha dos Lagos como "case" de estudo foi motivada pela relevância da veículo.

– A escolha pela Folha dos Lagos veio, antes de tudo, pelo seu legado. É um nome que carrega história, identidade e um impacto muito forte na Região dos Lagos. Existe uma cultura construída em torno do jornal que dialoga com aquilo que acreditamos enquanto futuros jornalistas. Para nós, essa conexão tornou a escolha ainda mais significativa – explica Tainá Quintanilha.

"Uma memória viva, perceptível tanto na
sua trajetória como na forma que se comunica"

Durante o levantamento de dados, a estudante de jornalismo conta que algumas particularidades do jornal chamaram a atenção.

– A forte identidade construída ao longo do tempo. A Folha dos Lagos carrega uma memória viva, perceptível tanto na sua trajetória quanto na forma como se comunica. Há uma delicadeza no modo de transmitir a informação, um cuidado que ultrapassa o factual e toca o sensível, algo que consideramos muito valioso no jornalismo. Esse olhar ficou ainda mais evidente durante a conversa com Rodrigo Cabral (editor da Folha), reforçando a dimensão humana presente no trabalho do jornal. Mais do que um primeiro contato, o momento mais marcante aconteceu durante uma palestra realizada na universidade, com a presença de Moacir (Cabral, fundador da Folha) e Rodrigo. Na ocasião, eles compartilharam a história da Folha dos Lagos, a trajetória do jornal impresso e também aspectos ligados à literatura, que admiramos muito. Esse encontro despertou um novo olhar, trazendo uma admiração ainda maior por um veículo que representa de forma tão significativa a Região dos Lagos.

Fundado em 30 de abril de 1990, a história do jornal impresso de maior longevidade em Cabo Frio começou 10 anos antes, quando em 14 de junho de 1980 o jornalista Ralph Bravo fundou a Folha de Cabo Frio, que deu origem à Folha dos Lagos, fundada pelo jornalista Moacir Cabral.

— A Folha de Cabo Frio surgiu como um jornal mensal numa época em que a cidade tinha pouquíssimos veículos de comunicação. Para se ter uma ideia, Cabo Frio tinha, na época, cerca de 70 mil habitantes. A redação era formada por quatro pessoas contando com um colunista. Foram muitos momentos de altos e baixos. E, por volta da edição 70, o Moacir Cabral me procurou para comprar o título do jornal. Aceitei a proposta, e o nome Folha de Cabo Frio foi mantido nas primeiras quatro edições, até que mudou para Folha dos Lagos, como conhecemos hoje - contou Ralph em recente entrevista.

A edição nº 1 trazia estampada na capa a manchete “Os dólares já estão chegando” e uma charge com o então prefeito Ivo Saldanha, assinada pelo ator e diretor teatral, José Facury. Naquela época o jornal tinha circulação mensal. Desde então, a Folha já teve periodicidade semanal, bissemanal e até se tornou diário, retornando ao formato semanal após a pandemia, somando quase 6.200 edições em 36 anos.