Cultura

Aos 93 anos, escritor Joaquim Bento Ribeiro Dantas lança livro que conta história da aviação

Com 222 páginas, "A invenção do avião uma construção de 500 anos" é publicada pela Sophia

28 ABR 2026 • POR Redação • 10h20
O jornalista Raul Silvestre, que prefaciou a obra, ao lado de Joaquim Ribeiro Dantas - Larissa Zago

Aos 93 anos, o escritor Joaquim Bento Ribeiro Dantas lançará “A invenção do avião – uma construção de 500 anos” em Búzios, no dia 5 de maio. O encontro, com sessão de autógrafos, será no Restaurante Gisele (Avenida José Bento Ribeiro Dantas, 5100).

Na obra, publicada pela Sophia, Bento escreve com a autoridade de quem conhece o céu por herança e o mar por inclinação. Filho de José Bento Ribeiro Dantas, figura importante na formação urbana e administrativa de Búzios e que dá nome à principal avenida da cidade, cresceu em um ambiente em que a aviação fazia parte do cotidiano. 

“Meu pai era piloto e, como falava alemão, foi trabalhar na Condor como advogado. Como era, além de bom advogado, bom piloto, juntou a advocacia com a paixão pelo voo e, muitas vezes, vi meu pai sair de casa para efetuar uma viagem regular de linha. Minha primeira viagem, Rio–São Paulo, em 1941/42, aos 8/9 anos de idade, foi em um magnífico e, para a época, supermoderno FW 200, a joia da indústria alemã” explica. 

O fascínio precoce se desdobrou em uma carreira iniciada em 1953, como escriturário na Cruzeiro do Sul, empresa em que chegaria ao posto de diretor de planejamento e vendas, atravessando um período de expansão da aviação comercial brasileira. Ao longo dos anos, acompanhou decisões estratégicas, visitou fabricantes e participou de voos de teste em aeronaves que marcariam época.

O jornalista e amigo Raul Silvestre observa no prefácio que Bento “fez do avião o seu instrumento de ofício — mas nunca o seu maior sonho”. “Se o ar representava a vida profissional, as águas simbolizavam prazer e liberdade”, escreve Raul, ao situar o autor como alguém que observa a aviação também a partir de uma sensibilidade moldada fora dela.

Esse olhar aparece no modo como o livro percorre, em 222 páginas, a história do voo. Bentinho, como o autor é chamado, reúne episódios que ajudam a entender como diferentes tentativas se acumulam ao longo do tempo. Ele nos leva, por exemplo, ao “Albatroz”, planador do capitão bretão Jean-Marie Le Bris que, na década de 1850, era puxado por um cavalo em disparada contra o vento. Homem do mar, Le Bris via nas asas uma extensão das velas dos navios e apostava na inclinação das superfícies para ganhar sustentação. O experimento terminou em queda, mas deixou o registro de um dos primeiros voos planados tripulados com algum controle, sugerindo como a aviação se formou a partir de contribuições dispersas.

O texto ganha ainda mais densidade quando mergulha nos detalhes técnicos, tratados com o cuidado de quem manuseia relíquias. Surgem as pipas celulares de Lawrence Hargrave, o aileron de M. P. W. Boulton —fundamental para o controle lateral do voo— e a audácia de Clement Ader, que buscou inspiração nas asas de um morcego para seu “Éole”. Ao tratar de Santos Dumont, o autor evita simplificações e o situa como parte de uma construção mais ampla, resultado de avanços distribuídos ao longo de séculos.

Como responsável pelo planejamento da Cruzeiro do Sul, Bento visitou fábricas globais e participou de voos de teste em modelos como o Boeing 727 e o trijato inglês Trident. Na obra, ele recorda o episódio do DC-8 que, em 1961, ultrapassou a barreira do som em um mergulho controlado. “Nada aconteceu de diferente, além de um grande estrondo”, lembra o comandante Paul Patten em um dos relatos reunidos pelo autor.

Para Bento, escrever sobre aviões foi a oportunidade de retomar uma trajetória que atravessa a própria vida e responder a uma curiosidade recorrente entre amigos e conhecidos. 

“Notei que em minha vida passada vivenciei, profissionalmente, e ainda devo, em conversa com amigos e conhecidos, satisfazer uma grande curiosidade sobre aviões e aviação. Era entusiasmado por história, já tinha publicado um livro sobre o descobrimento do Brasil. Escrever sobre aviões era a oportunidade para me reconectar com a atividade de toda a vida”, afirma.

Ele recupera um relato do naturalista von Martius, que, em 1820, registrava que a travessia entre Lisboa e o Rio de Janeiro podia levar cerca de 45 dias. 

“Hoje, vai-se em 9 horas. O que as comunicações fizeram para as ideias, palavras e dados, o avião fez para reunir as pessoas”.  conclui.

Sobre o autor

Joaquim Bento Ribeiro Dantas nasceu em 1933, no Rio de Janeiro. Filho de José Bento Ribeiro Dantas, figura importante na formação urbana e administrativa de Búzios, cujo nome batiza uma das principais avenidas da cidade, é formado em Direito pela PUC-Rio. Atuou por mais de duas décadas nos Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, onde chegou ao cargo de diretor de vendas e responsável pelo planejamento. É autor de “Ciência e Tecnologia: Caminhos para o Descobrimento do Brasil e Anarquintas” e de vários artigos publicados em veículos como Primeira Hora, Peru Molhado e Jornal dos Búzios.

Características

TIPO brochura

FORMATO 16x23

PÁGINAS 228

PESO 419 gramas

ISBN  978-65-88609-60-6