Teatro Municipal de Cabo Frio sob o signo da incerteza; prefeitura mantém o silêncio
Determinação do governador interino de suspender contratos e pagamentos pode afetar os planos de reabertura do espaço em parceria com a Faetec
Fechado há quase dez anos por problemas estruturais e de segurança, o Teatro Municipal Inah de Azevedo Mureb, em Cabo Frio, segue sem data de reabertura. Assim que tomou posse, em janeiro de 2025, o prefeito Serginho Azevedo informou que o espaço passaria por uma grande reforma, desta vez realizada em parceria com a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec).
No entanto, o futuro dessa parceria acaba de ganhar uma dose de incerteza. Nesta semana, o governador interino do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto de Castro, determinou a suspensão temporária de novos contratos e de pagamentos em diversas áreas da administração estadual, visando o reequilíbrio fiscal. Embora o decreto foque inicialmente em pastas de infraestrutura urbana, o contingenciamento gera dúvidas sobre os investimentos de responsabilidade da Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e da Faetec em Cabo Frio. Sem o fluxo de caixa garantido pelo Estado, a finalização da escola-teatro pode sofrer novos adiamentos. Esta semana a Folha questionou o governo municipal sobre a existência de alguma conversa em andamento com o governador interino a respeito da obra no teatro de Cabo Frio, mas não houve resposta.
Na época, o secretário de Cultura, Carlos Ernesto Lopes (Carlão), chegou a anunciar que a reabertura do espaço estava prevista para o começo do segundo semestre do ano passado. O Termo de Cooperação Técnica, no entanto, só foi celebrado em 14 de maio de 2025, e publicado cinco meses depois, no dia 28 de outubro, com vigência de dois anos a contar da data de assinatura. O documento a que a Folha teve acesso previa “o compartilhamento de espaços / instalações do Teatro Municipal de Cabo Frio com a FAETEC, visando a oferta de cursos relacionados às artes cênicas, para ampliação do acesso da população do Município de Cabo Frio à formação técnica e artística”. Mesmo assim, a prefeitura anunciou que a obra teve início em julho.
Por conta do atraso, membros do governo chegaram a falar de uma possível reinauguração no final de 2025, o que também não aconteceu. Em janeiro deste ano, uma nova previsão foi ventilada para depois do carnaval, mas também não se concretizou. Oficialmente, no entanto, a Prefeitura vem mantendo mistério sobre o andamento do projeto. E segue ignorando todos os pedidos de informação feitos pela Folha.
Há nove meses o site oficial do Executivo Municipal chegou a informar que toda a obra seria custeada pelo Governo do Estado. Como contrapartida, a Prefeitura deveria implantar uma escola de teatro no local, transformando o espaço também em um centro de formação artística. A proposta era de que o teatro funcionasse não apenas como palco para apresentações, mas também como instrumento de educação e capacitação.
Inaugurado em 14 de agosto de 1997 e fechado desde janeiro de 2017, o Teatro Municipal vive uma longa novela, que ganha um novo capítulo a cada governo. Entre os entraves que impediam a reabertura estavam dívidas com a Enel e falhas estruturais que levaram à interdição do prédio pelo Corpo de Bombeiros. Em novembro de 2018, o espaço chegou a abrir agenda apenas para pequenas apresentações no foyer. À época, a Prefeitura informou que os demais ambientes permaneceriam fechados aguardando a aprovação do projeto de reforma pelo Corpo de Bombeiros, etapa necessária para a abertura de licitação. As melhorias previam duas novas portas de saída de emergência, troca do piso da plateia por material não inflamável, sinalização luminosa nas escadas, ampliação das portas já existentes e substituição dos extintores.
Em fevereiro de 2021, o teatro foi visitado pelo arquiteto Marcos Flaksman, autor do projeto original do espaço. Em julho do mesmo ano, a então secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa, Danielle Barros, esteve em Cabo Frio para verificar a possibilidade de apoio à revitalização, inclusive com a aquisição de equipamentos técnicos, como iluminação, via leis de incentivo.