Royalties: presidente da Ompetro defende união de prefeitos apesar das diferenças ideológicas
Atual prefeito de Campos dos Goytacazes e presidente da Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro), Frederico Paes reforçou, durante encontro em Cabo Frio, que neste momento os prefeitos do estado do Rio precisam se unir e deixar desavenças políticas de lado. Uma decisão do STF poderáprovocar grandes mudanças na distribuição dos royalties do petróleo e causar um enorme colapso nas contas de todos os 92 municípios do estado, inviabilizando investimentos essenciais em saúde, educação e infraestrutura, além de comprometer o pagamento de servidores em diversas prefeituras fluminenses.
– Assumi como prefeito de Campos há poucos dias com a licença de Wladimir Garotinho, mas em 2012, como empresário, eu mobilizei uma caravana enorme pro Rio de Janeiro contra a redistribuição dos royalties. Fechamos BR, fui multado, nossos caminhões foram todos presos, fizemos um alvoroço grande. Naquela época a sociedade civil organizada abraçou a nossa causa. Por isso eu digo pra vocês que é muito importante envolver os sindicatos, a Firjan, as associações de classe, a imprensa… porque o cidadão comum precisa entender que quem vai perder não é prefeito, não sou eu, não é o senhor, não são os colegas: é a população. Apesar de estar vice-prefeito há pouco mais de cinco anos, eu, como iniciativa privada, já estive muito em Brasília e vi como o Nordeste é forte e unido. Eles brigam politicamente, mas quando eles iam pra Brasília, era um segurando a mão do outro: não tinha interesse político, não tinha bandeira política, não tinha isso de direita x esquerda. Eles se uniam e brigavam pela região deles. A gente também precisa fazer isso. O estado do Rio precisa fazer isso – provocou.
Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavalieri lembrou aos prefeitos que o atual momento do estado do Rio pode ser um ponto favorável nessa luta, já que o governador em exercício é também presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
– O petróleo é dos brasileiros, mas a indústria do petróleo se desenvolveu no estado do Rio de Janeiro. Não é acaso do destino, não é sorte, não é dádiva. A indústria do petróleo que se desenvolveu aqui foi por conta do conhecimento produzido na UFRJ, do conhecimento produzido por cada uma das cidades, engenheiros, profissionais da indústria do petróleo, dessa cadeia produtiva que estão espalhados em cada uma das cidades. Quando a gente olha pra Macaé, para Campos, para Rio das Ostras, para Cabo Frio, pra tantas cidades do estado, a gente vê o sucesso que foi o desenvolvimento da indústria do petróleo no Rio de Janeiro. Não dá pra separar o desenvolvimento da indústria do petróleo do Brasil do desenvolvimento da indústria do petróleo no Rio de Janeiro. E esse orgulho a gente tem que ter pra poder mostrar para os ministros do Supremo. E eu tenho certeza que os ministros vão ser sensíveis a isso. E do ponto de vista jurídico, dos argumentos, a gente também tem aí uma oportunidade, porque nosso estado está sendo liderado nesse momento, até a primeira semana de maio, pelo presidente Tribunal de Justiça, o agora governador Ricardo Couto. Ele já foi a Brasília duas vezes para tratar desse tema. A gente precisa aproveitar a disponibilidade e o respeito que o governador Ricardo Couto tem em Brasília como presidente do Tribunal de Justiça, fortalecer a liderança dele até esse julgamento no dia 6 de maio – declarou.