Bailarino de 11 anos conquista vaga histórica em renomada escola de ballet do Brasil
João Victor Lemos é o primeiro morador de Iguaba Grande aprovado na Escola de Dança Maria Olenewa
Com apenas 11 anos, o estudante João Victor Lemos da Silva Vieira acaba de escrever um capítulo inédito na cultura de Iguaba Grande. O jovem bailarino foi aprovado para a Escola de Dança Maria Olenewa, do Teatro Municipal do Rio de Janeiro. A escola é a instituição de dança mais antiga do país (fundada em 1927, no Rio de Janeiro), e uma das mais renomadas e mais rigorosas na formação de ballet clássico.
Em conversa com a Folha, João Victor contou que seu primeiro contato com o mundo do ballet foi através do Projeto Social Monique Azevedo, em Iguaba.
– Esse projeto me proporcionou uma vivência em dança e, na escola, o professor Adilson (Bidu) percebeu meu talento e me convidou para participar de sua companhia. Após o encerramento das atividades em Iguaba, fiquei um período afastado da dança, até receber o convite para fazer parte da academia de dança Centro de Movimento Paula Andrade (Cemo). Foi lá que eu tive a percepção de que o ballet poderia se tornar uma profissão. Foi nesse momento que também conheci a história da dança - explicou João.
No meio do caminho, o jovem iguabense revela ter atravessado algumas dificuldades, mas revelou que o pensamento de desistir nunca passou pela cabeça. Para ele, o ballet é sinônimo de "disciplina, foco, amor e união". João credita grande parte do sucesso ao suporte familiar que sempre recebeu.
– Minha mãe (Fernanda) foi incansável, sempre me levando aos ensaios, sempre me motivou em tudo (karatê, futebol, clarinete). Minha família é a minha base. O que me motivou a continuar foi o amor pela dança e o apoio da minha família. Aprendi que o balé exige disciplina, foco e união, por isso nunca pensei em desistir - afirmou.
A preparação para o rigoroso processo seletivo da escola do Teatro Municipal do Rio de Janeiro aconteceu dentro do Cemo, com o apoio de uma extensa lista de professores que ele faz questão de citar - “Paula Andrade, Matheus, Lucas Canellas, Íris Borba, Otton, Lara” -, além de formandas da instituição. Mesmo com tanto preparo, João contou que a aprovação foi recebida com surpresa e euforia.
– Fiquei muito feliz porque tinha muita gente concorrendo, mas só havia duas vagas. É uma responsabilidade muito grande ser o primeiro bailarino de Iguaba Grande a conquistar essa vaga. O suporte do Cemo e da Paula Andrade foi fundamental para minha preparação porque sem a bolsa integral eu não teria como fazer todas as modalidades. Ao mesmo tempo, sinto um orgulho imenso. Representar Iguaba em um palco de relevância nacional mostra que, com dedicação, disciplina e apoio, é possível ir longe. Quero honrar o nome da minha cidade, das pessoas que acreditaram em mim, e abrir caminhos para que outros jovens também sonham e acreditam que é possível - contou.
Sorteado para estudar na Escola Cívico-Militar de Iguaba Grande, João lembra que agora enfrenta o desafio logístico de manter os estudos na cidade, e as aulas de ballet na capital. Recentemente, o jovem conseguiu o apoio da prefeitura para o deslocamento, o que, segundo ele, será fundamental para que não precise se mudar de Iguaba.
O apoio da população de Iguaba Grande, dos empresários e do poder público é fundamental para que eu consiga concluir minha formação com sucesso. Quero me tornar um grande bailarino, mas também desejo continuar meus estudos e, no futuro, aprender outras línguas. Minha mãe faz tudo o que pode, e nunca mede esforços, mas sabemos que a caminhada é difícil. Por isso, estou buscando possíveis patrocínios. Acredito que, com a ajuda de todos, e com Deus à frente, vou conseguir seguir firme, representar minha cidade e mostrar a força da nossa cultura – avalia João Victor.
Com o olhar no futuro, o jovem já projeta voos ainda maiores, citando outro sonho: o de fazer parte de instituições como a Escola do Teatro Bolshoi: “estar nesse meio significa aprender com profissionais de alto nível, evoluir como artista e representar minha cidade com orgulho”, explicou. Para outros jovens da Região dos Lagos que, assim como ele, passaram por projetos sociais, ele deixa um recado direto:
– Eu diria para nunca deixarem de sonhar. Muitas vezes a carreira pode parecer distante da nossa realidade e da nossa região, mas com esforço, disciplina e dedicação é possível chegar lá. Eu sou prova de que, mesmo vindo da Região dos Lagos, podemos conquistar grandes oportunidades. Acreditem no potencial de vocês e não tenham medo de lutar pelos seus objetivos - finalizou.