SEGURANÇA PÚBLICA

Antes de deixar o cargo, comandante do 25º BPM anuncia desativação do CCS de Cabo Frio

Coronel Andreia Campos alegou falta de chapas para o órgão, mas a presidente anterior rebateu informação e desabafou sobre falta de valorização

10 MAR 2026 • POR Redação • 12h22

Na sexta-feira (6) a coronel Andréia Ferreira da Silva Campos deixou o comando do 25º Batalhão da Polícia Militar (25º BPM), em Cabo Frio, após quase dois anos. No lugar dela, quem assumiu foi o Tenente Coronel Almeida, que ocupava a função de subcomandante. Antes de deixar o comando, no entanto, ela informou ao programa Amaury Valério (Rádio Ondas FM) que o Conselho Comunitário de Segurança de Cabo Frio (CCS) está sendo desativado após 21 anos de atividade ininterrupta. Segundo a comandante, não houve inscrição de chapas para substituir a atual diretoria, sob gestão da empresária Patrícia Cardinot.

– O CCS é muito importante para as ações de segurança, mas infelizmente a Patrícia não pode continuar. O Conselho é gerido pela Secretaria de Segurança e pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), e existem regras a serem seguidas. Como não houve apresentação de nenhuma chapa até novembro, para substituir a atual, o ISP encerrou as atividades do CCS de Cabo Frio. Mas ainda estamos abertos à indicação de novas chapas para reativação do conselho. Para isso é preciso um mínimo de cinco pessoas, podendo ser mais, e todos os membros passam por uma avaliação do ISP - explicou a oficial.

Também em entrevista ao radialista, no entanto, Patrícia Cardinot informou que houve, sim, a apresentação de uma chapa, e deixou claro a insatisfação com o desgaste enfrentado pela diretoria ao longo do tempo.

– Eu tomei a decisão de sair do conselho, e da diretoria. Como presidente nos últimos dois mandatos eu nem poderia concorrer de novo, mesmo. Mas eu apresentei uma chapa. Falei que não faria parte porque estou cansada. É muita falta de valorização, e ingratidão durante anos. Tudo o que fazemos é de graça, é trabalho voluntário, mas não conseguimos espaço para levar nossos projetos à frente. Então decidi encerrar minha gestão. Mas já enviei a nova chapa para o ISP e para a comandante Andréa, para que eles deem continuidade ao processo de posse - explicou Patrícia.

A trajetória da então presidente é marcada pela reconstrução do órgão, já que foi ela quem reativou o CCS de Cabo Frio em 2005, após cinco anos de inatividade. Ela contou que também ajudou a implantar o Conselho Comunitário de Segurança de Arraial do Cabo e Búzios, e criou os primeiros grupos de Whatsapp focados em segurança pública, em 2015.

– Eu comecei a atuar na segurança, de forma voluntária, depois que tive um irmão assassinado, minha mãe se suicidou por causa disso, e após ter passado por dois relacionamentos abusivos que quase me mataram. Mas, infelizmente, o descaso da população é muito grande. Todo mundo reclama, mas ninguém participa das reuniões. E isso acontece em todos os mais de 90 CCSs do estado do Rio de Janeiro. As pessoas têm receio de participar, acham que se participarem das reuniões do conselho serão vistos como X9 (informantes da polícia), o que não é verdade, até porque segurança pública não é só polícia: é a falta de iluminação pública, é a assistência social, é a pessoa em situação de rua, e muitas outras questões - desabafou Patrícia.