Viradouro e Mangueira se destacam em noite equilibrada no Grupo Especial do Rio
Com apresentação problemática, São Clemente fica em situação de risco
Depois de mais de dois anos de espera, o público que foi à Marquês de Sapucaí foi brindado com.um belo espetáculo na primeira noite de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, encerrada na manhã deste sábado (23). A primeira metade da festa foi marcada pelo equilíbrio, embora não tenha havido uma apresentação tecnicamente perfeita, que não deixasse dúvidas sobre a disputa do título.
Nesse contexto, os destaques foram Unidos do Viradouro e Mangueira. Aclamada pelo público, a Beija-Flor também promete entrar forte na briga pelo campeonato, apesar dos percalços em evolução. Na noite deste sábado (23), desfilam outras sete escolas, a partir das 22h: Paraíso do Tuiuti; Portela; Mocidade Independente de Padre Miguel; Unidos da Tijuca; Acadêmicos do Grande Rio e Unidos de Vila Isabel.
Imperatriz Leopoldinense
A 'Certinha de Ramos' voltou com tudo ao Grupo Especial depois do melancólico rebaixamento, em 2019. A escola homenageou um dos principais nomes da sua história, o carnavalesco Arlindo Rodrigues, campeão em 1980 e 1981. Bem ao estilo do homenageado e mentor, a carnavalesca Rosa Magalhães, outra campeoníssima pela escola, abusou do requinte e bom gosto nas fantasias e alegorias. O bom samba foi cantado com garra pelos componentes, embora tenha pego uma Avenida ainda fria. Uma abertura digna de fazer a escola sonhar com uma volta ao Desfile das Campeãs.
Mangueira
A Verde e Rosa entrou na pista disposta a apagar a imagem do desfile frio em 2020. Conseguiu em parte. O samba rm homenagem ao compositor Cartola; o cantor Jamelão e o mestre-sala Delegado, que não era dos mais cotados da safra funcionou bem, propiciando bom canto dos componentes. Um dos destaques da apresentação foi a comissão de frente, cujas trocas de figurinos sobre o elemento alegórico conquistaram o público. Com a bonita plástica proposta pelo carnavalesco Leandro Vieira e a predominância do verde e rosa nas fantasias, a escola espera entrar firme na briga pelo título.
Salgueiro
A Vermelho e Branco da Tijuca levou para a Avenida o enredo 'Resistência', de Alex de Souza, para exaltar a negritude e a luta antirracista na sociedade. Famosa pelo pioneirismo na temática afro, a escola relembrou enredos históricos como Zumbi de Palmares (1960); Chica da Silva (1963); e Chico Rei (1964); bem como exaltou diversas personalidades negras importantes na sociedade. Como pontos fortes, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Sidcley e Marcella Alves e a bateria comandada por Gustavo e Guilherme. O tema, atual e pertinente, não fez o Salgueiro escapar dos problemas. Com um contingente grande, a escola teve dificuldades na evolução e teve que correr no fim para não estourar o tempo. Em várias alas, o samba só era cantado nos refrãos, o que pode causar despontuação em Harmonia. O conjunto alegórico também se mostrou irregular, principalmente no último setor, que falava das manifestações urbanas, como o charme e o funk. A escola, porém, nunca deve ser subestimada e pode surpreender na apuração.
São Clemente
Outrora uma escola "ioiô", a São Clemente completou 11 carnavais na elite do samba com uma emocionante homenagem ao humorista Paulo Gustavo que morreu de Covid-19, em maio do ano passado. Infelizmente, porém, a escola teve uma apresentação com uma série de equívocos. Praticamente todos os carros tiveram problemas para fazer a curva no setor de armação, o que causou descompasso na evolução. O abre-alas teve a parte dianteira solta, o que acarretará em perda de décimos. O samba, considerado um dos mais fracos da safra, também não teve um bom rendimento. Na parte visual, capitaneada pelo estreante Thiago Martins, a escola passou bastante colorida, mas enfrentou alguns problemas de acabamento. Por outro lado, a presença da mãe do ator, Dea Lúcia, na comissão de frente, emocionou o público. Contudo, foi pouco para salvar a apresentação problemática e que deixa a escola em risco para a apuração.
Viradouro
A escola de Niterói entrou na pista da Marquês de Sapucaí em busca do bicampeonato com um enredo que tratava do Carnaval de 1919, o primeiro depois da epidemia de gripe espanhola. Os carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon a usaram do luxo e criatividade para desenvolver a temática, fazendo um paralelo com a atual situação, de pandemia de Covid-19. Os artistas optaram por um divisão cromática que, em parte, trazia o vermelho e branco da escola com outras cores, como roxo e preto. A mistura pesou em alguns momentos, bem como a "estética hospitalar", mas no geral, o conjunto alegórico passou suntuoso e bem acabado. O polêmico samba em forma de carta também acendeu os componentes, embora levado com andamento um pouco acelerado pelo carro de som e pela bateria do mestre Ciça. No geral, uma apresentação tecnicamente perfeita, mas que não provocou o arrebatamento do efeito "ensaboa" de 2020. Apesar de alguns senões, é postulante séria ao bicampeonato.
Beija- Flor
Fechando a primeira noite de espetáculos, a Deusa da Passarela nolopolitana trouxe um enredo sobre a intelectualidade negra e a sua influência na sociedade. A forte mensagem foi passada com muito luxo e gigantismo, características que pareciam ter sido perdidas pela escola nos últimos anos. O enredo de temática semelhante ao do Salgueiro, em alguns setores, não foi desenvolvido de forma tão clara como o da coirmã tijucana, mas a apresentação emocionou o público, no geral. O bom samba foi cantado a plenos pulmões pelos componentes, mas problemas com destaques em dois carros podem causar descontos em alegorias e evolução, pois houve certa correria no fim. Outros destaques positivos foram o sempre competente casal Claudinho e Selma há Sorriso e a bateria de mestre Plínio. Um arsenal de méritos que podem levar a Soberana a sonhar com uma boa sorte na apuração.