Américo Vespúcio: nova rodada de negociação acontece nesta segunda (28)
Direção, pais e professores lutam contra o fechamento da escola, em Cabo Frio
Nesta segunda-feira (28) acontecerá mais uma rodada de negociações sobre a situação da Escola Municipal Américo Vespúcio, no Parque Burle, em Cabo Frio. Em fevereiro, a Prefeitura anunciou que a unidade, que possui cerca de 300 alunos do 6º ao 9º ano, seria fechada e se transformaria na nova sede da Secretaria Municipal de Educação, que hoje está instalada no Itajuru. Na época, o governo municipal justificou a decisão alegando que desde 2012 a unidade escolar vem registrando redução na quantidade de estudantes. Com o fechamento da escola, foi anunciada a possibilidade de remanejamento de alunos e servidores para unidades próximas, como a Escola Municipal Professor Edilson Duarte, no Jardim Caiçara, que, segundo a Prefeitura, seria capaz de absorver a demanda.
A reunião desta segunda acontecerá na sede da escola, e terá a presença de representantes da Secretaria de Educação, direção, professores e funcionários do Américo. O objetivo é tentar buscar alternativas contra o fechamento da unidade escolar, que já gerou vários protestos, inclusive com a presença de pais e estudantes.
O assunto do fechamento da escola também chegou à Câmara de Vereadores de Cabo Frio. Alguns se manifestaram na tribuna, outros através das redes sociais. O ex-secretário de Saúde de Cabo Frio, e atual vereador, Felipe Fernandes, também se pronunciou na época. Ele lembrou que “escola é um espaço de ensino, sociabilidade e construção do indivíduo, de modo que há um vínculo afetivo da população”. Lembrou, ainda, que a realocação dos alunos da Escola Municipal Américo Vespúcio não estava definida.
- A decisão para a sua permanência precisa ser tomada em conjunto com o corpo docente e discente, aqueles que vivem a escola, além da população interessada. O diálogo é fundamental em ocasiões como essa. Conversei com nossa secretária de Educação, e ela nos confirmou que haverá conversas com os nossos servidores e alunos. Acredito que esse é o melhor caminho para tomarmos as decisões. Cremos que o Américo precisa de uma nova oportunidade, com apoio dos pais, e o incentivo do poder público para que os alunos retornem para a sala de aula de nossas escolas públicas municipais - declarou, na época do anúncio sobre o fechamento.
O assunto também ganhou as redes sociais, com várias pessoas se manifestando contra a decisão.
- Enquanto a sociedade não entender que Educação é um direito fundamental, aqueles que deveriam provê-la continuarão fechando nossas escolas conspirando à desgraça social. O povo tem que ir às ruas lutar pela única herança que pertence de fato aos seus filhos - escreveu Rejane Jorge num post que aparece nas redes sociais da escola.
Pais, alunos e professores chegaram a divulgar uma carta aberta à população, onde eles denunciaram e questionaram várias situações.
- O sistema de matrículas da rede municipal é um fator de desequilíbrio, uma vez que permite que algumas escolas tenham listas de espera enquanto outras se encontram com vagas à disposição. A suspensão das aulas, a demora em se empreender uma política de atendimento ao aluno e o retorno em sistema de rodízio, aliado à insegurança devido ao cenário epidemiológico, não nos deu condições de trabalhar adequadamente na recomposição da nossa comunidade escolar. Atualmente, temos à disposição uma estrutura capaz de oferecer um padrão melhor de qualidade tanto para os profissionais quanto para os alunos. Justamente nesse momento, ao invés de oferecermos algo melhor para nossa comunidade, nossa escola será fechada e ao prédio dada uma finalidade burocrática? Foi para isso que a reforma da escola foi pensada e executada? - questiona o documento.
A Prefeitura tem anunciado que nenhuma decisão será tomada sem consultar o conselho escolar, responsáveis, alunos e servidores da unidade escolar.