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Cemitério Santa Isabel está saturado e abandonado

Sujeira e mato tomam conta de tudo e servidores ameaçam protestar com paralisação

10 junho 2016 - 09h30Por Gabriel Tinoco
Cemitério Santa Isabel está saturado e abandonado

Há tempo que o problema do Cemitério Santa Isabel, no Portinho, em Cabo Frio, não se restringe ao pouco espaço. Além da sujeira, a capinação precária deixa a grama avançar entre as covas. A falta de material também atrapalha o trabalho dos servidores que, por sua vez, estão sem salário e ameaçam com a possibilidade de paralisação.

Nos últimos meses o problema tem causado sérios transtornos. Mesmo assim, nenhuma providência foi tomada até agora. Outro problema nos dias de sepultamento é a grande quantidade de moscas.

Silêncio – Desde o início da semana a reportagem da Folha dos Lagos telefona insistentemente para o diretor de Posturas da prefeitura, Wilson Lobato, que, no entanto, não atende as ligações e muito menos retorna.

Um dos servidores lotados no cemitério, que preferiu não se identificar, afirmou que tem que levar o material de casa para poder trabalhar.

– Falar que está faltando alguma coisa não é novidade. Agora até tem material, mas normalmente a família é que tem que trazer. Esse mato alto é porque a empreiteira que fazia o corte não teve o contrato renovado – denuncia.

Em março, famílias denunciaram que faltavam tijolo, areia e cimento para os sepultamentos.

Além da falta de material, os servidores do Cemitério Santa Isabel pedem melhores condições de trabalho, pois sequer têm local apropriado para as refeições e para tomar banho. Muitos jazigos também estãoquebrados e empoeirados.

Invasão de gaveta 

A bióloga Perla Cristina Tola, que mora em Roma, esta semana foi ao cemitério para visitar o túmulo do pai, Salvatore Tola, e ficou surpresa com o que viu. Na redação da Folha, ela disse ontem que ‘simplesmente tiraram o corpo do meu pai e colocaram outro no lugar’. Ela disse que a gaveta está ocupada com o corpo de Carlos Antônio da Silva, desde 17 de abril último.

– Tenho documento provando que há a perpetuação da gaveta. Só hoje (ontem) me informaram que os ossos dele foram colocados num saco e estavam junto ao túmulo da minha mãe. Falaram que a retirada foi ordem de Rodrigo, da Secretaria de Postura. Quero minha gaveta de volta. Eles pensavam que não tinha ninguém aqui para conferir e trocaram. Se eu não tivesse o túmulo da minha mãe, onde meu pai estaria neste momento? No lixo – complementou Cristina. O cemitério tem cerca de duas mil gavetas. A administração prometeu a construção de pelo menos mais 200 gavetas e 300 covas, até agora nada foi feito.