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Personalidades da região argumentam em defesa de seus candidatos à presidência para o segundo turno

Folha ouviu cinco eleitores de cada lado, que explicaram os motivos de suas escolhas

18 outubro 2018 - 09h34
Personalidades da região argumentam em defesa de seus candidatos à presidência para o segundo turno

RODRIGO BRANCO

O segundo turno das eleições acontece daqui a menos de duas semanas e as redes sociais pegam fogo em função da polarização ideológica poucas vezes vista em sucessões ao cargo máximo do país.

Os próprios candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) têm buscado salientar as diferenças nas propostas, muitas vezes com ‘golpes abaixo da linha da cintura”, incluindo vários ataques pessoais e as famigeradas ‘fake news’.

Na Região dos Lagos, o capitão da reserva e deputado federal levou ampla vantagem sobre o ex-prefeito de São Paulo no primeiro turno e, desde então, os debates ou, muitas vezes, embates só têm se intensificado. Para tentar entender as razões de quem apoia um ou outro candidato, a reportagem da Folha ouviu cinco eleitores declarados de cada um deles.

Cordialmente, todos explicaram os motivos, mas não foi tarefa fácil encontrar quem se dispusesse a expor os posicionamentos. Alegando insegurança por conta do clima de radicalismo político no país, muitos apoiadores de parte a parte procurados pela reportagem preferiram manter–se em silêncio e não tomar partido de um ou de outro.

Outros não opinaram em função do cargo que ocupam em determinada corporação. De todo modo, as opiniões colhidas expressam que a região é um verdadeiro microcosmo do país quando se fala nessa disputa eleitoral, que já entrou para a história, como uma das mais agressivas e inflamadas desde a redemocratização brasileira, em 1985.

Haddad é bem visto entre artistas e ativistas sociais

As personalidades que se manifestaram a favor do petista são, essencialmente, profissionais liberais e ativistas de movimentos que lutam pelos direitos das minorias.

O presidente do Grupo Iguais e militante LGBT, Rodolpho Campbell, faz restrições ao PT, mas destaca as diferenças para o adversário.

– Temos direitos adquiridos e respeitados. O Fernando assume o compromisso de manter as redes de proteção institucionalizadas e o outro candidato segue na contramão dessas bandeiras que levantamos – diz.

Advogada e ativista do Movimento Negro, Margareth Ferreira se diz preocupada com o futuro.

– Haddad representa a união das forças progressistas contra esse conservadorismo que vitima o Brasil e o transforma na luta classista, que exclui os pobres de todas as decisões do país – teme.

O engenheiro Luciano Silveira concorda.

– Ele respeita as minorias, as mulheres, os negros e os direitos civis, coisa que o adversário não faz – afirma.

Anarquista, a professora e subsecretária de Educação, Denize Alvarenga, resolveu ir às urnas.

– Percebi que a ameça é enorme e diante desse quadro, estou votando para não me sentir compactuando com essa situação. Tenho amigos ameaçados. A violência está muito perto – justifica.

Eleitor de Ciro Gomes no primeiro turno, o tetrólogo José Facury dará um voto anti-Bolsonaro.

– Nunca estarei com a extrema-direita. Sou contrário a toda agenda que nos faça retroceder ao que já passamos – dispara.

Propostas de ex-capitão agradam ao empresariado

Entre os apoiadores do capitão da reserva ouvidos para esta reportagem, a maioria é de empresários que acreditam na melhoria do ambiente econômico com uma eventual vitória do candidato do PSL. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Cabo Frio (Acia), Eduardo Rosa, é um deles.

– Respeito quem vota no PT, mas a economia precisa de segurança. Ninguém investe onde não tem organização e justiça. Isso espanta investimentos – crê.

O dono de restaurante Aguinaldo Bueno aposta em Bolsonaro pelo desejo de mudança.

– Voto Bolsonaro pra mudar o país. Do jeito que está, o país não vai a lugar nenhum – crê.

O contador Ramires Rodrigues diz que o candidato representa a esperança.

– Está todo mundo irritado com a situação do país, a falta de credibilidade, a corrupção e a falta de respeito com as instituições – entende.

O produtor de eventos Olavo Carvalho assume uma posição anti-PT.

– Ficamos encurralados entre um candidato que tem um passado controverso, mas que parece muito austero e um partido que desobedeceu tudo aquilo que prometeu combater – justifica.

O vereador Waguinho segue a mesma linha.

– Não acredito e nunca acreditei que ele é a salvação do Brasil, mas acho que, no momento que estamos vivendo, ele é o único capaz de ‘arrumar a casa’ para que possamos começar a ver uma mudança. Até porque, minha outra opção não apresenta mudança alguma – diz.