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Geral

​Largada da campanha em Cabo Frio é nas ruas

Nos primeiros dias, candidatos apostam no corpo a corpo para tentar conquistar eleitores

22 maio 2018 - 09h13

RODRIGO BRANCO 

A campanha para a eleição suplementar em Cabo Frio começou oficialmente no domingo e nesses primeiros dias os candidatos trataram logo de botar a cara nas ruas para tentar conquistar preciosos votos em uma curta campanha, de pouco mais de um mês.

Se no primeiro dia, no domingo, o destino comum dos postulantes foi o Mercado Municipal Sebastião Lan, no Jardim Caiçara, ontem foi dia de bater perna em diferentes pontos da cidade. Rafael Peçanha (PDT) esteve no Centro conversando com eleitores e apresentando propostas.

Já Adriano Moreno, depois de atender no seu consultório na parte da manhã, foi ao segundo distrito à tarde. Ele teve uma reunião com lideranças de Tamoios. O ex-prefeito Marquinho Mendes (MDB), que tenta voltar ao cargo depois de ser afastado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), também cumpriu agenda na periferia, só que no Jardim Esperança, onde fez corpo a corpo.

Por sua vez, Leandro Cunha (PSOL) este fora da cidade. Ele foi ao Rio junto com as lideranças cabofrienses do partido para o lançamento da pré-
candidatura do deputado estadual Marcelo Freixo à Câmara Federal.

Na feira, encontros casuais e amistosos


No domingo, Rafael, Adriano, Marquinho e Leandro deram o pontapé inicial de suas campanhas no Sebastião Lan, praticamente no mesmo horário, mas em clima bastante ordeiro, sem hostilidades.

Adriano e Rafael chegaram a se encontrar e cumprimentaram-se cordialmente, depois do episódio que culminou na ruptura entre Rede e PDT. Marquinho, acompanhado da mulher, Kamila e da vice Rute Schuindt, cumprimentou feirantes e o público em geral. Já Leandro aproveitou a chance para se apresentar para o eleitorado.

Surpresas no fim

Após o fracasso nas composições com o PDT e com a ex-secretária municipal da Melhor Idade Cristiane Fernandes, um dos mistérios na reta final do registro das chapas era a posição de vice na chapa do médico e ex-vereador Adriano Moreno (Rede Sustentabilidade). No sábado, acabou escolhido o presidente da União Cabofriense dos Estudantes, Felipe Monteiro (PCdoB). 

No domingo, para surpresa geral, Cristiane, que é filiada ao PSDB, registrou sua candidatura de forma independente na Justiça Eleitoral de Cabo Frio. Ela optou pela candidatura solo após o ruidoso rompimento com Adriano Moreno, com direito a postagem em tom de desabafo nas redes sociais. Para compor a chapa, Cristiane escolheu outra mulher: Doutora Carmem Maria. Contudo no fim da tarde de ontem, surgiu a informação de que a Executiva Estadual tucana teria vetado a sua participação nas urnas, mas a informação não foi confirmada até o fechamento desta edição. Procurada, ela disse que não foi informada de qualquer decisão.

Completando o time de prefeitáveis, mais uma vez está o empresário Carlos Augusto Felipe, o Carlão (PHS), que também disputou a eleição municipal de 2016. Como candidato a vice na chapa está Zulmael Hambrich Machado, do mesmo partido.

Nas ruas, reações entre a indiferença e a descrença


Os candidatos a prefeito de Cabo Frio nesta eleição suplementar até já colocaram o bloco na rua mas, neste começo, a campanha está longe de empolgar. Pelo menos se usar como termômetro a Praça Porto Rocha, onde próximo ás suas bancas de jornais, muita gente gosta de reunir para comentar os cenários políticos nacional, estadual e local. Há quem sequer tenha conhecimento de que terá que voltar às urnas daqui a 33 dias.

– Não tô nem sabendo – disparou Thiele Silveira, de 32 anos.

A colega Priscila Teixeira, de 24 anos, comentou que não gosta da abordagem de candidatos durante o período eleitoral.

– Nem um pouco. Não gosto porque só abordam para puxar o nosso saco de olho no nosso voto – disse.

Do alto dos seus 72 anos e muitas eleições, Eliseu Soares fala da política com descrédito e culpa a Justiça pela situação. Mas demonstra jogo de cintura para lidar com as promessas dos candidatos.

– Só existe político corrupto neste país por causa do Judiciário. A gente tinha que importar político do Japão. Quando um candidato vem me pedir voto, digo que vou votar nele. Faço isso com todos, digo que vou votar em todos eles. Ele não enganam a gente? Eu só faço o mesmo – disse o senhor, que se identificou como ‘empresário falido pela crise’.

O eletrotécnico Manoel Pedro, de 65 anos, reclama das despesas de uma nova eleição (“tudo com nossos impostos”, diz) e garante que vai pegar os candidatos pelo pé se for abordado em algum corpo a corpo.

– Estou desanimado. Não conheço nem quem são os candidatos. Se um deles me parasse na rua ia cobra dele porque a cidade está largada. Falta segurança, saúde e Educação. Como vão querer o meu voto? – questiona.

Desempregado, Lucas Lima, de 23 anos, disse que não se interessa por política. Ele é um dos que vai engrossar a fila dos que vão justificar a ausência no dia 24 de junho.

– Já tem quatro ou cinco anos que não voto em ninguém. Não voto porque não tenho benefício nenhum com isso – disse, sem rodeios.

Também à procura de um trabalho, Rafaela Alves, de 28 anos, garante que só vai votar por obrigação.

– Voto porque se votando está assim, imagina se não votar. Mas se um candidato desses me abordar, falo só por educação, pra não deixar falando sozinho. Não tenho nenhuma alegria nisso – conclui.