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Eleição suplementar em Cabo Frio tem taxa de abstenção de 34,31%

Índice significa um recorde na cidade e é 12,10% maior do que no pleito de 2016

25 junho 2018 - 10h35
Eleição suplementar em Cabo Frio tem taxa de abstenção de 34,31%

Tradicionalmente o dia de eleição em Cabo Frio, que começou pontualmente às 8h, é muito movimentado desde as primeiras horas da votação. Mas, além da inédita eleição suplementar, a cidade também assistiu a cenas raras: as seções amanheceram vazias. O resultado disso foi visto ao final da apuração das urnas: a taxa de abstenção chegou a pouco mais de 34%, um recorde para a cidade.

Para se ter uma ideia do desinteresse do eleitor no pleito de ontem, por volta do meio-dia apenas uma média de 35% do total de mais de 145 mil eleitores havia comparecido às urnas, o que elevava o índice de abstenção a 65% – número histórico na cidade.

No início da tarde, no entanto, o movimento começou a aumentar de forma tímida. Mas nem no primeiro nem no segundo distrito houve notícia de filas e grande movimentação em qualquer uma das 407 seções. Por volta das 16h, a votação atingia a marca de cerca de 50% de votantes.

O historiador Paulo Roberto Araújo, colunista da Folha, acredita que essa tendência de abstenções começou a crescer nas eleições de 2016 e nesta eleição suplementar ganhou corpo por conta por diversos fatores, como escândalos de corrupção.

– Eu acho que essa tendência de um grande número de votos em branco e nulos está se repetindo, desde as ultimas eleições. Escândalos de corrupção têm sim, um grande impacto, principalmente quando estes escândalos estão ligados a vida do cidadão. Não acho que essas eleições vão mudar muito a vida da cidade não. A mudança a ser feita é muito maior do que essas eleições indicam. As pessoas estão, na verdade, muito cansadas de todos estes candidatos e do quadro político de uma maneira geral – disse Paulo.

De fato, como analisa o historiador, assim como este ano, nas eleições para prefeito de 2016, quando Marquinho Mendes e Adriano também disputavam voto a voto pelo mesmo posto, a taxa de abstenção também foi considerada alta.

Naquele ano, dos 146.434 mil eleitores da cidade, apenas 113.908 mil comparecem às urnas para confirmar seus votos, exatamente 77,79%, totalizando uma taxa de abstenção de 22,21%. Dos votantes, apenas 90,39% foram válidos, pois 3.300 mil cidadãos ainda votaram em branco, e outros 7.646 mil votaram nulo.

No pleito daquele ano, Marquinho Mendes se elegeu com 44.161 mil votos, exatamente 42,89% dos votos. Dr. Adriano ficou na segunda colocação, com a preferência de 23.287 mil dos cabofrienses, o que representa 22,62% dos votos válidos daquela eleição.

Eleitores justificam abstenção e votos nulos

Com o grande número de abstenção, não foram poucos os cabofrienses encontrados nas ruas da cidade que revelaram ter escolhido não votar, confirmando estar dentro das estatísticas alarmantes de abstenção. Outros afirmaram ter votado nulo, e explicaram seus motivos. Esse foi o caso do gerente comercial Flávio Reis, de 37 anos, que estava sentado em um bar na Avenida Nilo Peçanha e, surpreso, justificou seu voto nulo simplesmente por não saber da existência do pleito suplementar, segundo ele devido a uma viagem.

– Eu estava fora da cidade, viajando por 30 dias, e nem sabia que estava acontecendo eleição na cidade. Eu voto no Miguel Couto, vou ali rapidinho e vou votar nulo, até porque não conheço os candidatos. E, mesmo se soubesse, não votaria em ninguém – disse.

Também sentado em um bar da mesma avenida, estava o estudante Victor Carvalho, de 26 anos. O universitário afirmou que decidiu não votar em ninguém pois não se decidiu a tempo do dia da votação. Por conta disso, ele disse que prefere pagar a multa do que votar em alguém que ele não confia inteiramente.

– Durante a campanha eu busquei entender quem era o melhor candidato, mas mesmo com os debates não cheguei nessa conclusão, até porque foram muitos ataques pessoais e poucas propostas. Por isso preferi não votar – explicou.

Não só os ataques pessoais entre os políticos durante a campanha foram criticados, mas a desilusão com a política de uma forma geral também foi citada como uma das razões para escolher não votar nestas eleições suplementares. Foi assim que o engenheiro de produção Luís César Braga, de 45 anos, justificou sua abstenção no pleito de ontem.

– Eu poderia votar nulo, mas prefiro mesmo não votar. É como um protesto para mim. Estou desiludido com a política e, especialmente com a política feita aqui em Cabo Frio, minha cidade. Prefiro pagar a multa e não ter a consciência pesada depois – declarou.

Exemplos de cidadania

Mesmo sem ter a obrigatoriedade de votar, dona Josefa Lemos Barcelos, de 92 anos, fez questão de participar do pleito eleitoral deste domingo em Cabo Frio. Moradora do Centro da cidade, ela andou, mesmo com dificuldades, pelo menos cinco quarteirões para chegar ao Colégio Estadual Miguel Couto. Dona Josefa se destacou num cenário de abstenções e convicta do candidato que escolheu, disse que “ele é um bom candidato, por isso votei”.

Segundo ela, é preciso que os eleitores compareçam aos locais de votação e votem para participar da democracia.

– Faço questão de votar para ajudar no futuro da cidade – declarou dona Josefa.

Outro que se esforçou para cumprir com o seu papel de cidadão foi o jovem Gabriel Sena. Apesar de não ser obrigado a votar, pois tem deficiência física, Gabriel fez questão de exercer o seu direito.

– Ele sempre faz questão de votar e participar. Mesmo sem ser obrigado. Acima de tudo tem que exercer o direito e dever de cidadão. Botar quem a gente realmente quer – declarou o irmão de Gabriel, que o acompanhava, já que ele tem dificuldade na fala.