Compor é dar forma a sentimentos, contar histórias e criar trilhas sonoras que marcam épocas. Para Caetano Veloso é ainda mais do que isso: “é resistência”. E na semana em que se comemora o Dia do Compositor (dia 7) a Região dos Lagos tem motivos de sobra para olhar com orgulho para a própria produção cultural. Da boemia tradicional ao underground mais pesado, o cenário segue formando artistas que fazem da música autoral seu grande ofício.
Falar de composição é lembrar de Victorino Carriço (1912-2003). Compositor e apaixonado por Cabo Frio, ele imortalizou o amor pela cidade em versos que até hoje fazem parte da cultura local. Poeta por vocação, ele é autor de 14 hinos, incluindo os oficiais dos municípios de Cabo Frio, Arraial do Cabo e São Pedro da Aldeia. Foi ele quem ajudou a pavimentar o caminho para que a criação artística ganhasse raízes fortes na cidade ao longo dos últimos anos.
E essa semente continua dando frutos: na última edição do Festival Nacional da Canção, um dos mais respeitados do país, dois compositores de Cabo Frio (Frederico Santa Rosa e Juliara Ghiner) estavam entre os finalistas. Nomes como Azul Puro Azul e Vinícius Santa Rosa também levam o talento local para palcos nacionais, mostrando a renovação e a qualidade da nova safra de compositores da região.
Em alguns casos, a arte de compor é passada de pai para filho. Criada em Cabo Frio há quase dez anos, a banda Spectrummm mostra que a criatividade da região também se traduz em arranjos de rock pesados e letras marcantes. O idealizador do grupo, Christiano Guerra, traz a composição no sangue. Ele faz parte da terceira geração de uma família de músicos: além de ser neto de compositor friburguense, também é filho de Ney Veloso, autor do clássico “Ah, como eu amei”, eternizado na voz do irmão Benito di Paula (tio de Christiano).
Foi com essa bagagem que Christiano fundou a Spectrummm apostando no Doom Metal com um diferencial importante: todas as letras são compostas em português. O projeto virou negócio de família, com os filhos Adham (bateria) e Zach (guitarra) na formação, fechando o trio. Frequente em encontros como o Cabo Frio Moto Fest, a banda já lançou trabalhos como Atog, Drácula, Sem Identidade, Sangria e A Father’s Providence Version, além de faixas conhecidas na cena independente como Chumbo em Ouro e Atog Fling entre outras composições autorais.




