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Coluna

Tragédias e lições de uma barbárie urbana

03 fevereiro 2020 - 20h04

Caríssimos leitores de todas as terças, recentemente ficamos estarrecidos com o homicídio de um empresário de 62 anos, em plena Av. 13 de Novembro, no Centro, em Cabo Frio, em plena luz do dia. Apesar da rápida resposta do Corpo de Bombeiros, infelizmente a vítima não resistiu. Dois indivíduos foram flagrados, por câmeras instaladas nas proximidades, deixando o local, logo após o ocorrido, em atitude muito suspeita.

As primeiras impressões apontam que as investigações não descartam a hipótese de execução, porém o Delegado Titular da 126ªDP, Dr. Sérgio Caldas, ainda considera precoce antecipar qualquer conclusão. Desde já, consigno minha total confiança em nossas instituições policiais, que sempre atuam com grande profissionalismo na busca de dar a resposta que o cidadão espera, sobretudo na elucidação desses tipos de crimes tão nefastos. Questão de tempo!

Contudo, diante de um fato trágico e abominável, aproveito para trazer ao debate, como o município pode contribuir com a Segurança Pública, cujas atribuições majoritariamente recaem, por vocação constitucional, à União e aos Estados.
Particularmente, conheço bem das dificuldades de operar nos municípios da Região dos Lagos, especialmente em Cabo Frio, que há muito observa (politicamente inerte), em determinadas localidades, o crescimento desordenado de seus aglomerados urbanos, como ocorre principalmente nos arredores do “grande Jardim Esperança” e no segundo distrito, Tamoios.

Quando comandava o 25° Batalhão de Polícia Militar, entre 2013 e 2015, recordo-me dos inúmeros esforços envidados para atender aos anseios da população ordeira, atuando simultaneamente na motivação da tropa e na melhoria dos níveis de integração com a Polícia Civil e as Guardas Municipais, com quem formamos um Grupo de Trabalho permanente. Atualmente, quando reparo nas declarações do Ministro da Justiça e Segurança Pública falando em “integrar” as diversas entidades/agências federais, estaduais e municipais, percebo que estávamos no caminho certo.

Sem dúvida, conquistamos marcas expressivas e grandes operações conjuntas foram deflagradas, retirando de circulação criminosos de todas as estirpes, de assaltantes a integrantes de perigosas e estruturadas organizações criminosas.
Pois bem, inspirado nos excelentes resultados obtidos ao longo dos meus mais de 30 anos de carreira, tendo comandado inúmeras Unidades da PM, desde batalhões da zona metropolitana ao interior do Rio, venho depurando experiências bem-sucedidas, para elaboração de um projeto pessoal batizado de: “PLANO ESTRATÉGICO DE POLÍTICAS PÚBLICAS MUNICIPAIS DE SEGURANÇA E DE PREVENÇÃO À VIOLÊNCIA E REDUÇÃO DE VULNERABILIDADES”.

Nele, procuro desenvolver uma metodologia voltada ao gestor, de modo que as cidades possam apresentar uma infraestrutura capaz de desestimular a atividade criminosa, agregando tecnologias e ações preventivas qualitativas, em detrimento da reatividade. Concentra energias em debelar vetores e fragilidades que se tornarão naturalmente agentes de propagação da violência, enquanto aproxima-se do indivíduo focando na conciliação e pacificação de conflitos.

Um bom exemplo de interação com as Corporações Policiais, seria no sentido de firmar convênio para implantação do PROEIS (Programa Estadual de Integração na Segurança), como vem sendo implementado de forma exitosa em Niterói, Maricá e outros, que apresentam fortes índices de redução dos seus indicadores de criminalidade, e recentemente em Saquarema. E pergunto: por que Cabo Frio ainda não aderiu?