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Coluna

Prevenir para não ter que remediar

31 março 2020 - 10h21
Prezados leitoras e leitores de todas as semanas, tenho observado a resposta do Poder Público, no enfrentamento ao COVID-19, nas mais diversas esferas (Federal, Estadual e Municipal), e, ressalvadas algumas divergências, num plano geral convém considerar satisfatória. É fato que um dos maiores paradoxos do momento é quanto ao modelo e escala de distanciamento social.
 
Importante reforçar que ainda não existem respostas completamente absolutas sobre tal discursão, por isso, qualquer afirmação no sentido de defender categoricamente uma ou outra prescrição é mera especulação.
 
É preciso certamente avaliar inúmeros aspectos dessa equação. O isolamento vertical, ou seja, aquele qualificado por grupos mais vulneráveis, que considera a parcela da população idosa e os portadores de comorbidades (ou doenças preexistentes), pode ser necessário ou apropriado, mas dependerá de outros fatores.

Por ora, o mais recomendável, pelo atual cenário de evolução do quadro em nosso território, é que sigamos as recomendações das autoridades sanitárias e permaneçamos respeitando a “quarentena”, em nossas casas.

Tal estratégia, além de elencar como prioridade a vida, ainda busca contribuir com a redução das taxas de propagação do patógeno, amenizando a sobrecarga do SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE (SUS), que, lembremos, engloba as redes pública e privada de atendimento.
Porém, a experiência acumulada ao longo de minha carreira na Polícia Militar, sempre demonstrou que mais importante que manter um bom nível de reatividade, para responder a uma ameaça, é de preparar-se para as adversidades.
 
Geralmente situações de calamidade podem sobrevir de modo inesperado, como a da atual pandemia do novo CORONAVÍRUS, cujos primeiros casos foram notificados, como se sabe, na China e, de lá, se espalhou para o mundo.
 
Em Cabo Frio, as ações adotadas pela municipalidade seguem os protocolos e merecem todo nosso reconhecimento. Mas isso, por si só, não basta! O ideal seria que aumentássemos as possibilidades de resposta dos setores estratégicos da cidade. Um atributo que costumamos classificar como resiliência. Não só suportar problemas decorrentes de crises complexas, mas de aprimorar nossos processos a partir dessas intercorrências. Além de traçar táticas apropriadas para gerir dificuldades e amenizar os reflexos das inquietudes geradas em circunstâncias assim, é reconhecer a necessidade de manter os investimentos focados no essencial.
 
Nossos alicerces, baseados no orçamento, devem ser executados de maneira a proporcionar maior musculatura nas áreas do saneamento básico, saúde, educação e trabalho.
 
Percebemos que o aumento do número de indivíduos afetados exigirá mais leitos equipados, não somente com respiradores e outros dispositivos de suporte, mas também de equipe qualificada para operá-los. Além disso, naturalmente períodos mais alongados do denominado lockdown – para usar um termo que está em alta ultimamente – que significa interromper atividades não essenciais, promover bloqueios de vias públicas, terminais de transporte e restringir a livre circulação de pessoas, bens e serviços, exigirão consequentemente políticas compensatórias e de assistência mais efetivas.
 
Porém, tais medidas drásticas possuem um sabor amargo. Inegáveis os prejuízos ao ano letivo, aos empregos (tanto formais, quanto informais) e à economia em geral. Chegamos, então, a uma encruzilhada.
 
 O gestor prudente procura envidar esforços para antecipar cenários e criar contramedidas/defesas adequadas para serem implementadas justamente quando exigidas, sem que tenhamos que agir sempre nos limites de nossas capacidades. Desse jeito, é possível criar ferramentas para amenizar as angústias e o sofrimento de quem mais necessita.
 
Precisamos entender que os custos de uma prevenção estruturada, será proporcionalmente menor e menos traumático que os ocasionados pelos “remédios” e “terapias” aplicadas. E Concluo com o ilustre pensamento de Henry Ford: “o passado serve para evidenciar as nossas falhas e dar-nos indicações para o progresso do futuro”!