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Coluna

Precisamos de mudanças

23 janeiro 2020 - 14h40

Amontoados de lixo em cartões postais, ruas esburacadas, praças e parques abandonados; servidores com pagamentos atrasados, serviços precários, crise na saúde e na educação, secretários que não se sustentam em seus cargos... Caríssimos, infelizmente não estamos tratando de nenhum cenário de ficção, mas na verdade falando de Cabo Frio!

O município que já foi unanimemente considerado a locomotiva da Região dos Lagos, hoje vive afundado em uma realidade de grandes dificuldades e incertezas, e que parece não ter [ainda] encontrado o fundo do poço. Cada dia, quando inclinamos nossos olhares e ouvidos às notícias veiculadas na imprensa, salpicam notícias que caem como inacreditável desalento.

Terra divinamente agraciada com tantas e incomparáveis belezas naturais, de gente afável, acolhedora e de muita disposição para lida cotidiana, desde antes do nascente, e que se estende para além do poente; destino predileto de cariocas, mineiros e de turistas de todo lugar... 

Recentemente, quando frequentava o adorável bairro da Passagem, impressionante pelos seus atrativos histórico e cultural, proseava com o corajoso empresário de um novo empreendimento e fiquei estarrecido com seu depoimento. Resguardando o anonimato característico dos confessionários, assisti ao testemunho de quem parece travar diariamente uma batalha desigual, tendo como principal opositor a própria Administração Pública local.

Não bastasse a pesada carga tributária, a falta de apoio, sobretudo para obtenção de alvarás e licenças, os comerciantes são obrigados a suportar uma fiscalização extremamente repressiva e hostil. E aqui, não faço crítica aos profissionais que são obrigados a executar as diretrizes emanadas por seus gestores. O fato é que a política implementada vai na contramão das demandas sociais e das tendências geoeconômicas.

As pesquisas sobre o mercado de trabalho têm apontado que o número de profissionais autônomos ou que escolheram abrir o próprio negócio, cresceu substancialmente, tornando-se fator primordial de geração de emprego e renda. Ignorar esse panorama pode significar um erro estratégico colossal e absurdamente inconcebível!

Cada localidade exala a vocação que lhe é peculiar. Portanto, é imprescindível que a prefeitura ofereça infraestrutura apropriada. Estamos sugerindo serviços adequados, boa conservação dos espaços, acessibilidade e iluminação eficiente, área para estacionamento, e, por oportuno, coadunado com o sistema modal de transporte. Complementando, o aporte do necessário aparato de segurança estatal, agregando ações da Guarda Civil Municipal e das Forças de Segurança.

Senhoras e senhores, é imperativo que sejam envidados esforços para criação de ambientes de negócio mais favoráveis, capazes de atrair novos investimentos e estimular/revigorar aqueles já existentes. Estendamos o “tapete vermelho”!

O ordenamento urbano é essencial, mas deve ser precedido de conscientização, de ações pedagógicas e de cidadania, de dinamismo e conciliação, na busca de soluções para os gargalos enfrentados. Raymond Alexander “Ray” Kroc, que transformou o McDonald’s numa potência, já dizia que “nenhum de nós é tão bom quanto todos nós somos juntos”.

Então, não vejo com bons olhos tolerar que os atuais protagonistas políticos mantenham sua sanha, desejo de fazer da atual paisagem árida e desértica que estamos atravessando, em um anteposto purgatório. Precisamos de mudanças!