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domingo, 29 de março de 2020
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Coluna

Olha a folia aí, gente!

27 janeiro 2020 - 20h52
Foliões de todos os Carnavais, o clímax da estação mais quente do ano está se aproximando, afinal, e na contagem regressiva, menos de um mês nos separa da sempre esfuziante festa de Momo. Muito além do glamour das fantasias, desfiles de carros alegóricos, plumas, paetês e toda sorte de adereços coloridos, o evento que mobiliza multidões traz, a reboque do abre-alas, muitos investimentos, empregos e oportunidades.
E no embalo dos repiques e de enredos repletos de temas inspirados, ora no riquíssimo folclore e tradições deste país continental, ora nas atualidades e inovações tecnológicas, onde passado e futuro se encontram no presente, a atmosfera é tomada por uma onda contagiante. A cultura parece exalar em todos os recantos, ganhando novos adornos que se transformam como que numa “metamorfose ambulante”, já dizia Raul, formando uma aquarela de diversidade a encantar o mundo.
 
Apesar de tantos atributos e aspectos favoráveis, visto o esperado aquecimento de economias locais, naturalmente os principais destinos para quem deseja escapar da correria das metrópoles acabam deveras exigidos.
 
A Região dos Lagos, por exemplo, tradicionalmente pode ser considerada, no universo fluminense, como paradeiro predileto do turismo doméstico, e também do público estrangeiro, principalmente dos nossos vizinhos hermanos. E despontando neste cenário, Cabo Frio, com suas inigualáveis praias e variadas opções de lazer, e de negócios: quem nunca percorreu as inúmeras malharias da conhecida Rua dos Biquínis, no bairro Gamboa, ou mesmo deleitou-se com a rica culinária, no adorável bairro colonial da Passagem, em seus sensacionais restaurantes? Sem falar dos verdadeiros monumentos históricos, como o Forte São Mateus e o Convento de Nossa Senhora dos Anjos, localizado no Morro da Guia, bem na porção central da cidade.
 
Mas a questão principal que não pode ficar de fora dos debates é se estamos fazendo o dever de casa e guardando a infraestrutura necessária para receber essa numerosa população flutuante. Um Tsunami de gente que carecerá de ter acesso aos principais serviços, com reflexos diretos, inclusive, na Segurança Pública. O ordenamento dos espaços urbanos, a pavimentação das ruas e passeios; a conservação das nossas praças, limpeza dos logradouros e coleta de lixo; iluminação, o transporte e o atendimento nas unidades de saúde.
 
Sabemos que todos os anos, as Forças de Segurança realizam seu planejamento e recebem reforços de efetivo e logísticos, melhorando sobretudo os níveis de ostensividade, com uma maior presença de policiais nas ruas.
 
Todos presumimos que as demandas, nesta época, superam absurdamente a prestação equacionada na média geral verificada naturalmente ao longo do ano. E aqui está um fator muito sensível e perigoso. A saturação desses recursos aumenta exponencialmente os riscos de colapso do atendimento das necessidades mais básicas e elementares.
 
E se nos períodos de entressafra, ou seja, da denominada baixa temporada, já observamos o sofrimento e a angústia dos nossos munícipes, para satisfazer as súplicas e pleitos considerados essenciais, resta sempre aquela sensação de incerteza de como responderão os aparelhos municipais.
 
Mas, talvez, esperemos que nossos mandatários não tenham “dormido (mais uma vez) no ponto”, figurando como meros passageiros desse imenso bonde da folia. Porque, parafraseando o inesquecível personagem do gênio Agnaldo Silva, o “alegórico” Giovanni Improtta: “na vida, como num restaurante, a conta sempre chega… e vamos embora porque o tempo ruge e a Sapucaí é grande”!