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Coluna

COVID-19 e a insustentável avareza do oportunismo!

07 abril 2020 - 21h42

Caríssimos leitores de todas as terças, a pandemia do novo CORONA vírus continua desafiando a humanidade e o modo de vida de Nações inteiras. Por aqui, não é diferente, enquanto todos são afetados pelos paradoxos da equação “saúde versus economia”, que ainda não encontrou seu ponto de equilíbrio, os debates oscilam entre técnicos e forças políticas de caráter duvidoso. E segue o dilema entre o receio de colapso do SUS e rede privada, e por quanto tempo as atividades produtivas poderão suportar esse estado de ampla “inanição”.

Revisitando o premiado clássico de 1984, “A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER”, do escritor MILAN KUNDERA, que ganhou, inclusive, sua adaptação para as telas, em 1988, nos deparamos com a seguinte reflexão: “não existe meio de verificar qual é a decisão acertada, pois não existe termo de comparação. Tudo é vivido pela primeira vez e sem preparação. Como se um ator entrasse em cena sem nunca ter ensaiado”.

E apesar de outras crises enfrentadas, pandemias, guerras, bolhas imobiliárias e monetárias que arrastaram conglomerados financeiros ao precipício, certo é que em nossa história contemporânea não há precedentes que consigam aproximar-se do cenário que estamos enfrentando, a não ser em certas peças de ficção. Inúmeros países impondo quarentenas em escalas colossais, como a que foi implementada na Índia, segundo país mais populoso do mundo, com seus cerca de 1,2 bilhão de habitantes.

As atualizações diárias continuam mostrando que boa parte da Europa e algumas regiões nos Estados Unidos, ainda concentram os mais críticos bolsões de propagação do patógeno e de óbitos, forçando, até segunda ordem, a dilatação das medidas de isolamento social.
Mas a freada brusca das engrenagens econômicas que movem o planeta globalizado acabaram impactando mais drasticamente os países denominados “em desenvolvimento”, como no caso do Brasil.

Porém, ao que vai ficando cada vez mais evidente é que, em terras tupiniquins, as paixões políticas e os arautos do caos continuam disputando atenções e o protagonismo de ocasião. O debate qualificado e a necessária harmonia entre poderes e poderosos fica em segundo plano, e a população, sobretudo mais vulnerável, continua refém de todo esse desatino.

E voltando à encruzilhada daqueles que continuam suscetíveis ao confinamento e à desoladora paisagem de despensas vazias, perdura a dúvida “shakespeareana” da tragédia de Hamlet, de “suportar as flechas e as pedras em nosso espírito ou insurgir-se contra esse mar de provocações”, enfim: “ser ou não ser”? 

Ser a favor de manter a estratégia do isolamento horizontal, sob a justificativa de dar fôlego à retaguarda de atendimento médico-hospitalar; ou migrar paulatinamente para uma tática mais ousada de resguardo vertical, focado nos grupos sensíveis  (idosos e portadores de sérias comorbidades)?Contudo, o que pode ser mais nocivo que o próprio COVID-19, neste momento de angústia e aflição, é justamente a avareza dos oportunistas.

Afinal, voltando à obra oitentista de alhures, “a nossa vida não é como um rascunho, a gente não pode simplesmente amassar o papel e começar tudo novamente”. Mas como somos brasileiros, não desistimos nunca!