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Coluna

Cabo Frio merece mais

14 janeiro 2020 - 14h24

Caríssimos leitoras e leitores do Folha dos Lagos, neste último final de semana, após uma semana extenuante de trabalho e muitos compromissos, resolvi percorrer a nossa amada cidade costeira, por onde aportou Américo Vespúcio, em 1503. A expedição naval portuguesa sofreu baixas e as duas embarcações remanescentes comandadas pelo navegador, explorador, comerciante e cartógrafo florentino deu origem, por assim dizer, a uma das mais antigas e atraentes cidades da baixada litorânea fluminense e quiçá do Brasil.
Porém, para explorar esse belo recanto da Região dos Lagos, minha cidade do coração, confesso que resolvi fazê-lo de um jeito diferente. Em vez de usar o possante, para ganhar em agilidade, escolhi tirar a teia de aranha da “magrela” e percorrer suas  ruas de uma forma mais contemplativa. Nada de deixar passar as incomparáveis paisagens cabofrienses, dada a necessária atenção que devemos dar ao trânsito, cuja mínima distração pode transformar-se em uma indesejável tormenta.

Liberdade, velocidade bem moderada e aquela brisa que só uma boa bicicleta pode proporcionar, e, obviamente, equipamentos de segurança, como capacete, tênis e viseira, além de água pra evitar desidratação e muito protetor solar, afinal o astro-rei não está para brincadeira.

 Contudo, apesar de todo encanto das belas praias e gente sempre muito acolhedora, meu coração ficou tomado de tristeza, perplexidade e um pouco de frustração ao testemunhar amontoados de lixo espalhados, por exemplo, em plena Avenida do Contorno. Um contraste indecoroso que acaba maculando um dos destinos mais concorridos do turismo, sem falar da frustração que impõe aos seus habitantes.
E continuando meu city tour, me deparo com manifestações dos profissionais da educação, motivadas pela duríssima realidade que esses e outros servidores municipais vêm enfrentando nos últimos tempos.

Em rápida retrospectiva, percebo que esse drama já se arrasta há tempos, e fico imaginando o sofrimento dessas famílias, que são obrigadas a tamanha humilhação. Certamente não estamos falando dos polpudos primeiros escalões do funcionalismo público, com seus inúmeros benefícios e vantagens, gratificações e “penduricalhos”, mas de pessoas simples, que exercem seu ofício, tanto por necessidade, como por vocação e amor.

Não fossem essas virtudes, certamente muitos já teriam abandonado o barco e procurado outras alternativas. Estão reféns de seus compromissos, faturas que não deixam de chegar, contas que precisam ser pagas – se não os serviços de água e energia, por exemplo, são cortados; se o aluguel não está em dia, o inquilino fica sujeito à ação de despejo, sem falar das entediantes, ultrajantes e cansativas cobranças.

E a origem disso tudo, para variar, sabidamente resulta de gestões ineficientes, às vezes impregnadas pelo tumor da corrupção e o flagelo do amadorismo, mas também da irresponsabilidade associada a uma abominável incompetência.

E o previsível incremento da população flutuante, deveras na alta temporada, que além de trazer mais divisas para o erário, também redunda num aumento proporcional da demanda, saturando a já deficitária infraestrutura local.

Mas não podemos deixar abater pela monotonia das disputas políticas, e fazer um exame de consciência para que as escolhas particulares de um futuro que já bate à porta, não reflitam de forma tão cruel e amarga em nossas realidades.

Esse não é o legado que queremos deixar para as gerações futuras, sem falar que ainda temos tempo para reagir e mudar de verdade o presente, porque acredito na capacidade e resiliência do seu povo.

Cabo Frio merece mais...