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Coluna

A mancha bilionária da corrupção

09 dezembro 2019 - 20h41

Estimados leitores de todas as semanas, estamos convivendo, desde que as primeiras manchas de óleo se espalharam pela costa nordestina, com o receio constante de que o desastre alcance as nossas praias de beleza incomparável.

Recentemente, no dia 26 de novembro, foi confirmado que os vestígios encontrados em São Francisco do Itabapoana, nas areias de Santa Clara, são compatíveis com aquelas recolhidas nas cidades costeiras do Nordeste e do Espírito Santo, segundo o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), que reúne os esforços da Marinha do Brasil, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). É o segundo município fluminense a acusar os resíduos de petróleo, depois de Grussaí, em São João da Barra.

Por enquanto, os cerca de cem gramas de fragmentos que foram localizados no Peró, em Cabo Frio, não trazem a mesma composição da calamidade ecológica, que vem mobilizando e tirando o sono das autoridades e populações afetadas.
E talvez mais destrutiva que os “misteriosos” derramamentos que marcaram este ano de 2019, seja o lodo da corrupção que vem assolando o nosso país, por décadas, quem sabe séculos. Notícia divulgada, em 09 de dezembro, pela Força-Tarefa da Operação LAVA-JATO, revela que já foram restituídos a (até então) inimaginável quantia de cinco bilhões de reais aos cofres públicos.
Tal montante absurdo é fruto da assinatura de acordos de leniência e de delação premiada, firmados no Rio de Janeiro e Paraná, no último quinquênio. E esses números obviamente representam somente uma fração da fatura escandalosa que foi sorrateiramente usurpada, surrupiada por verdadeiros larápios da Nação. Vale recorrer à célebre reflexão do Ministro da Economia, Paulo Guedes, quando se refere a uma tenebrosa associação formada por “piratas privados, burocratas corruptos e criaturas do pântano político”.

Nunca foi tão presente e oportuna a ilustre sentença de autoria atribuída ao icônico líder político americano defensor dos direitos civis, Martin Luther King, que diz: “o que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons”!

E essa lama de putrefação que cobre os mares das nossas esperanças, e nocauteia sonhos, às vezes, encontra suas resistências, posturas que lançam verdadeiro raio de fé sobre o crepúsculo que persiste em tentar encobrir nossa solene bandeira verde e amarela. Um grande exemplo pode ser observado em parte do voto do eminente Desembargador Leandro Paulsen, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, que condenou pela segunda vez, naquela instância, o ex-Presidente Lula, no caso do sítio de Atibaia. Em sua análise, recitou o seguinte trecho da música de Ana Carolina: “É certo que tempos difíceis existem pra aperfeiçoar o aprendiz, mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz”. E arrematou: “Esse texto emblemático não tem cor partidária. A luta contra a corrupção é de esquerda, da direita, e de quem pensa por si mesmo”.

Precisamos revestir nossos corações com a couraça da coragem e manter os sentidos aguçados, vigilantes sobre quem detém, por nossos méritos depositados nas urnas, a cada nova eleição, os cargos de mandatários: prefeitos, vereadores etc.

Vale rememorar o que diz a Constituição Federal de 1988, em seu artigo 1°, parágrafo único: “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente”. Com efeito, é sempre bom lembrar quem realmente manda...