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Coluna

A epidemia da insegurança

31 janeiro 2020 - 19h56

“Epidemia representa a ocorrência de um agravo acima da média (ou mediana) histórica de sua ocorrência. O agravo causador de uma epidemia tem geralmente aparecimento súbito e se propaga por determinado período de tempo em determinada área geográfica, acometendo frequentemente elevado número de pessoas”. Essa é a definição clínica do conceito de epidemia, de acordo com Alexandre Sampaio Moura e Regina Lunardi Rocha, na obra sobre o tema publicada pela UFMG. 
Nestes tempos de coronavírus, vemos crescer uma outra epidemia, de cunho social: a epidemia da insegurança, que se espalha pelo país e se reflete em nossa cidade, tanto no que se refere ao aumento do número de casos violentos, quanto no que tange à sensação de insegurança sentida cada vez mais pela população, na mesma medida em que episódios, como os da última quinta-feira, no Centro e em Tamoios, se multiplicam. 
Como consequência dessa epidemia de sensação de insegurança, surgem também os falsos remédios,  o que também é comum ao longo da história da humanidade. Poções, fórmulas, preces, simpatias ou crenças “fakes” não são novidades, na tentativa de combater males que se alastram e aterrorizam a sociedade. 
A crença em governos violentos, políticas públicas bélicas, discursos autoritários e adoração a armas, não serão jamais medidas eficientes contra essa epidemia social, mas tão somente trampolins políticos para o controle da gestão pública por grupos que combatem ilegalidades com outras formas de ilegalidades.
Obviamente, o avanço na capacitação, estruturação e organização das forças estatais de segurança é um braço desse remédio - mas não a bula inteira. Políticas públicas de longo prazo, focadas na educação integral; políticas de inteligência e estratégia territorial e investimento social são algumas substâncias que entram na fórmula desse medicamento, de uso contínuo e doses homeopáticas.  
Não podemos nos enganar com as promessas falsas de doses cavalares nem com choques de lobotomia, ou mesmo encontrar em vídeos e falas efusivas a “solução” dessa epidemia de insegurança. Apenas a união de uma cidade em favor da responsabilidade e da coragem de gestão pode medicar e reverter, a médio prazo, o que governos comprometidos por décadas com o crime deixaram proliferar.


(*) Rafael Peçanha é vereador em Cabo Frio.