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Coluna

Uma pedra no meio do caminho

13 fevereiro 2020 - 11h49

Olá amigos! Conforme prometido vamos falar um pouco sobre cálculos renais ou “pedra dos rins” como muitos conhecem. Por gentileza, leiam de coração aberto a matéria já que vamos demistificar algumas crenças populares. Confesso que minha avó era escolada em receitas e simpatias para tratamento das temidas pedras, entendo então, se algumas avós e avôs torcerem o nariz enquanto leem.

O básico a saber, é que o rim na verdade é um filtro do nosso sangue, mas diferente dos filtros de água que temos em casa, este não acumula sujeiras. O fato é que ele expele na forma de urina o desnecessário para uso do corpo ou o que se encontra em excesso.

A urina então é uma mistura do excedente de água que absorvemos com uma série de substâncias, entre elas, minerais e outros produtos de reações químicas corporais. Qualquer evento que altere o equilíbrio dessa mistura causará formação de compostos químicos que muitas vezes não se dissolvem, daí surgem os cristais. Para facilitar o entendimento, compare os cristais a grãos de areia e os cálculos renais a rochas formadas por vários grãos juntos e prensados. 

Quando uma pedra se forma dentro do rim é como uma fruta que quando amadurece se desprende do galho, no caso do tecido renal. Diferente da fruta que tem todo o espaço para cair no chão, o calculo é conduzido pela gravidade e pelo fluxo de urina a um tubo que liga o rim a bexiga chamado ureter. Este caminho é longo, em média 20 a 30 cm, e apertado, apenas  02 mm em seu maior diâmetro. É aí que começa o problema, o ureter entope com o cálculo e nosso corpo luta para expelir esse malfeitor gerando cólicas intensas. 

Os pacientes mais sortudos chegam à emergência e com uso de alguns medicamentos analgésicos e muita hidratação conseguem uma forcinha extra para expelir pequenos cálculos. Aqueles menos afortunados precisam do auxílio cirúrgico para retirar a pedra que ficou parada no meio do caminho.

 As cirurgias realizadas em sua maioria, utilizam pequenas câmeras que são colocadas pelo mesmo caminho de saída da urina, porém em ordem inversa. O médico então, consegue explorar o sistema urinário chegando ao exato local da obstrução. Nesse momento a tecnologia nos dá o maior auxílio, pois recorremos a energia do laser conduzida por fibras óticas para quebrar o cálculo. Pinças então retiram os fragmentos e o tratamento chega ao seu objetivo, que é o reestabelecimento do fluxo urinário. Temos então que agradecer aos inventores desse método já que não temos que lidar com feridas cirúrgicas, pontos ou curativos que tanto dificultaram a recuperação de nossos antepassados.

Vamos finalizar orientando corretamente e esclarecendo os mitos: 

1. tomar bastante líquido é melhor que dietas restritivas para evitar a formação dos cálculos (quem nunca escutou – Pare de tomar leite e comer queijos);

2. O caroço das frutas não se transforma em cálculos (Goiaba e Tomate liberados!);

3. Evite bebidas alcoólicas como forma de tratamento já que estas podem piorar a desidratação se consumidas em excesso.

Viu, não é tão difícil tirar essa pedra do seu caminho. Procure seu urologista, ele é o mais preparado para te ajudar neste momento.

Abraços e até a próxima!!