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Órfãos de Otília 

Começo o texto de hoje, à pedido de alguns amigos mais velhos, filhos de uma geração anterior a minha mas de igual forma saudosos dos tempos dourados de Cabo Frio, principalmente o período do milagre econômico quando após a inauguração da Ponte Rio-Niteró

25 outubro 2019 - 20h56
Começo o texto de hoje, à pedido de alguns amigos mais velhos, filhos de uma geração anterior a minha mas de igual forma saudosos dos tempos dourados de Cabo Frio, principalmente o período do milagre econômico quando após a inauguração da Ponte Rio-Niterói a Região foi alçada definitivamente a qualidade de destino turístico nacional e também internacional graças a estrelíssima Briggitte Bardot.
 
Sem dúvida nenhuma entre os nostálgicos dessa época as lembranças alegres dos Carnavais e folias das décadas de 70 e 80 estão entre os mais citados, sendo a unanimidade entre os filhos da terra, o saudosismo que envolve o mais cantado enredo cabo-friense o “Bloco da Rama”    
Para quem não conheceu, esse foi o Bloco que marcou a vida dos cabo-frienses e dos turistas pois foi o maior bloco de arrastão do interior do Estado do Rio de Janeiro nos anos em que existiu, atraia pessoas de todo país e do mundo havidas em participar da farra e da brincadeira carnavalesca. Puxava contigo milhares de foliões, grande maioria travestidos, um verdadeiro formigueiro humano que impressionava pela alegria contagiante e obviamente pela quantidade de pessoas.
 
O Bloco homenageava a velha Otília, uma beata, humilde e que segundo contam fora abandonada jovem pelo noivo. Morava em um barraco nas Dunas de Cabo Frio lugar até então inóspito e distante mas foram os passeios nas ruas da cidade acompanhada de seus inúmeros cães e carregando uma cruz até seu lugar preferido de descanso; a porta do Convento Nossa Senhora dos Anjos que a tornaram folclórica.
 
Por anos esse foi o carro chefe do carnaval de Cabo Frio, juntamente com o; Bloco do Costa Azul, Flor da Passagem, Paróquia, Farinha, dentre outros os quais peço perdão pelo esquecimento, além é claro das Escolas de Samba, todos nascidos da cultura local em nossas comunidades que davam forma ao que já foi chamado melhor carnaval do interior do Estado.
 
No entanto, apesar de populares essas Instituições não resistiram ao confronto do tempo e ao passar dos anos e em vez de consolidarem se, muitas delas se apagaram como manifestações sociais e culturais ao ponto de serem extintas. Nem mesmo a existência de uma Liga foi capaz de fortalece-las, ao ponto de ser necessário uma aproximação do Poder Público em busca de uma tão discutível subvenção.
 
Lamentável é constatar que assim como o Bloco da Rama e outros blocos de outrora, também não temos mais as Liras, os Jagunços, as Bandas das Escolas, as Ligas de esportes (Futsal, Handebol, Futebol de Praia, Voleibol) as festas de ruas (Praça da Bandeira, Roberto Silveira), movimentos esses nascidos da cultura local que foram esquecidos  e engolidos pela ação do tempo e do progresso a qualquer custo ao ponto de hoje termos muito pouco registro da sua existência.
 
Parece me que todos esses movimentos foram engolidos por uma força maior e mais poderosa que seletivamente os destruiu, uma vez que por muito tempo em Cabo Frio se entendeu “políticas governamentais” com “políticas públicas” o que se mostrou um engano terrível de consequências catastróficas o qual hoje sofremos.
 
NÃO BASTA SER EXECUTADA PELA MÁQUINA ESTATAL uma verdadeira política pública deve ser a destinada a um benefício ou resultado de interesse público que resguarde as futuras gerações.
 
Meus pêsames.
 

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