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Coluna

Pelo menos, mais humanos

24 julho 2020 - 12h55

Quem imaginava que a nossas vidas fossem paralisadas por uma doença, que nos fez repensar em como estamos vivendo, para quê e por que, qual objetivo e que missão tenho eu nessa labuta. 

Diariamente, nós jornalistas precisamos atualizar a todos dos 'números' de vítimas da Covid-19 e ainda, além da informação e da notícia pura e simples, lidar e contornar disputas políticas e a politização do vírus, que atravancou a discussão, tirando o foco daquilo que realmente importa, e sempre deveria ter importado, as vidas ceifadas e perdidas por essa praga, ou as que poderiam ter sido poupadas e salvas. 

Precisamos ainda noticiar, com muita revolta e indignação, roubos e desvios de bilhões dos recursos que eram para ser aplicados no enfrentamento a Covid-19 e ainda, a falta de amor, zelo, atitude e ação do poder público, anti as necessidades básicas do povo mais humilde, que piorou e muito com a pandemia e teve suas mazelas escancaradas. 

As vezes chego no estúdio da Rádio Ondas com vontade de voltar, cansado, sobrecarregado e louco de vontade de poder dar a boa notícia da cura, da vacina já aprovada ou do simplesmente utópico sonho do 'já passou', 'acabou', foi uma onda ruim, mas que assim como chegou de repente, se foi. 

Quantas noites não durmo sonhando com as pessoas que perderam seu entes queridos, famílias inteiras enlutadas e chorando sua perdas, e quando vemos o vírus maldito chegando próximo, em amigos queridos, irmãos, a preocupação aumenta, a ficha cai ainda mais e a nossa dor, aumenta. 

Tento dar destaque a pautas positivas em O Dia como a matéria dos voluntários que entregaram milhares de cestas básicas em Cabo Frio, agindo onde o poder público sequer chegou e saciando a fome de tantas e tantas famílias, que desempregadas, não tinham nada para comer ou ainda sem ter como se virar com a quarentena e o comércio fechado. 

Não, não é fácil propagar notícias ruins. Sofro, choro, não durmo, me sinto impotente, fraco, e tenho a mesma sensação as vezes, do leitor, ouvinte e telespectador de que tudo não vai passar tão cedo. 

Mas ao ligar os microfones, receber o carinho dessa gente sofrida, e que conta com a minha esperança, ânimo e força, parece que o peso da pandemia diminui e tenho a sensação por algumas horas de que conseguimos vencer esse mal, se não conseguimos ainda, conseguiremos, mas juntos. 

Que aprendamos, na dor, e nesse momento incerto e sem perspectiva de como será o amanhã, a nos colocar no lugar do outro, sofrer com os que sofrem, chorar com os que choram, e principalmente, nunca esquecer que não são números, estatísticas apenas, mas pessoas, pais, mães, filhos e filhas, que possuem famílias, e que muitos estão hoje mortos, em vida, juntos com as vítimas desse coronavírus.  

Que a pandemia do coronavírus, ao menos, nos torne mais humanos.