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Coluna

Os moinhos de vento atacam outra vez

22 julho 2021 - 14h23

A campanha de vacinação há meses iniciada no município de Cabo Frio, seguindo o calendário e a cartilha do PNI (Programa Nacional de Imunização), teve seu encerramento para aplicação da primeira dose a pessoas com comorbidades. Embora seja de conhecimento geral que a eficácia é comprovadamente maior após a aplicação da segunda dose, a sensação de alívio e proteção contra o inimigo invisível já pode ser verificada entre essas pessoas. Diabéticos, hipertensos, portadores de doenças coronárias, renais, entre outras doenças de curso crônico, sentem-se mais protegidos em relação à Covid-19, certos de que a vacinação diminuirá o risco de hospitalização e complicações associadas a doenças, principalmente após a primeira dose. Embora a batalha contra o Coronavírus seja ainda longa, já são evidenciadas melhoras após as estratégias de profilaxia adotadas pelos cabo-frienses, tais como o uso de máscara, mesmo após a vacinação, o distanciamento social e principalmente a adesão à campanha vacinal. No entanto, para os portadores de comorbidades, ainda há um inimigo invisível a ser vencido, e este requer cuidado redobrado: as doenças pré-existentes. Mergulhamos em um mundo de informações interruptas a respeito dos avanços de cepas virais e recursos farmacológicos antimicrobianos, decretos de legislações de saúde e avanços científicos; no entanto, ao que parece as velhas cronicidades foram esquecidas em prol de um inimigo maior, o que causou descompensação no quadro de saúde de muitos pacientes usuários de remédios de uso contínuo. As doenças de base, as pré-existentes, responsáveis por caracterizar como grupo de risco seus portadores são em sua maioria afetadas pelo contágio pela Covid-19. 

Uma resolução da SBD, publicada no ano passado (2020), tranquilizou muitos diabéticos a partir da notificação de que, embora fosse sim motivo de atenção redobrada, o vírus se comportava de forma mais branda em diabéticos compensados, comportando-se de forma similar em indivíduos sem comorbidades. Em momento algum é um aval para que se deixe as máscaras de lado e apenas façam o uso contínuo da metformina; pelo contrário: é uma ratificação para que se redobrem os cuidados com as doenças pré-existentes, um inimigo já conhecido daqueles que mensalmente visitam os balcões de farmácia com suas prescrições médicas. 

 Mesmo após a segunda dose da vacina para aqueles que se apresentam com comorbidades, é preciso redobrar a atenção com os cuidados médicos, não esquecendo das visitas periódicas e do check-up usual. Sem dúvida, para portadores de doenças crônicas, foi um imenso desafio manter a sanidade e a saúde diante de um inimigo invisível, muitos chegando a questionar se não lutávamos contra moinhos de vento, como Dom Quixote; mas para nos ater à realidade e lembrar-nos de que, seja lá a batalha a ser vencida, precisamos de aliados, e para nós, periodistas em farmácias, nosso melhor aliado é Sancho Pança – entre outras palavras: não encravar toda a nossa atenção em único gigante, mas nos lembrarmos da realidade que nos espera: os medicamentos na cabeceira da cama, que tornam possíveis nossas verdadeiras guerras diárias independentemente de pandemias.