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Coluna

O povo na praça

06 novembro 2019 - 20h18

Reconheço sem menor sombra de dúvidas que todos os textos anteriormente publicados nessa coluna, foram pautados pelo saudosismo e pela melancolia íntima que assola todos aqueles que viveram em outras épocas em nossa cidade. Recheados de referências históricas e homenagens singelas foram deliberadamente escritos no intuito de resgatar a memória do leitor e despertar a saudade desse passado não muito distante e despertar um sentimento de amor à cidade que ao final do texto meus conterrâneos entenderam.


Porém hoje me permito elaborar um texto um tanto quanto mais crítico do que os demais pois a pauta do dia é a minha saudade do povo cabo-friense de outrora, um sentimento vago de que a nossa comunidade está cada vez mais desencantada com a condução dada a coisa pública nas últimas décadas, além do sentimento coletivo de decepção e descrédito que a classe política de uma maneira geral vem sofrendo em âmbito nacional.

Lembro me na minha infância de uma sociedade civil bem mais atuante nas questões de interesse geral até mesmo com relação a assuntos de vanguarda como a; violência contra mulher.  É nítido na minha memória a consternação, o assombro e a revolta pública que levaram a população sem distinção de idade, sexo ou cor a tomar as vias públicas nos julgamentos ocorrido no antigo Fórum, hoje Prefeitura, pedindo justiça em crimes de repercussão nacional ocorridos aqui em nossos Distritos como os que prenderam Doca Street e Conxinha. 

No que tange a política lembro me também da minha inocência ao presenciar a passeata pelas “diretas já”, sem saber que todos que ali estavam corriam risco de prisão por subversão, lembro  de uma passeata dos professores já sobre o manto democrático na Praça Porto Rocha que cantando uma paródia de samba enterrou um certo Prefeito que voltaria anos depois a exercer o mesmo cargo, teve a manifestação pela morte de Sebastião Lan também na Praça cheia de emoção e choro, sem contar o Fora Collor que tomou as ruas do Centro até a Praça de São Cristóvão dentre outras várias.

No entanto a minha crítica nessa data não é com relação as manifestações sociais propriamente ditas mas sim pela omissão da sociedade civil não só na cobrança dos seus direitos mas principalmente na atuação efetiva nas questões de vulnerabilidades sociais pois a crise econômica que assolou nosso País, atingiu de morte os Municípios quase todos falidos ou dependentes dos royalties ou repasses de outros entes, que em um momento crítico como esse optaram, ou melhor, foram forçados a restringir os investimentos nessas áreas por uma questão financeira. 

Essa crise e seus desdobramentos levaram ao aumento substancial do desemprego em todos os Setores e Classes Sociais, além de um aumento considerável nos níveis da violência, o que expôs mais pessoas da nossa Cidade, principalmente aquelas mais carentes à situações de extrema vulnerabilidade social.

Dessa forma, em virtude do espaço, deixo registrado que pretendo em outra oportunidade aprofundar mais sobre o assunto mas deixo aqui uma última afirmação. NO MOMENTO CRÍTICO EM QUE OS MUNICÍPIOS DA NOSSA REGIÃO ESTÃO O PAPEL DAS ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL SÃO DE RELEVANTE IMPORTÂNCIA NÃO SÓ NA FISCALIZAÇÃO COMO TAMBÉM NA EXECUÇÃO DAS POLITICAS PÚBLICAS. 
 

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