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Coluna

O ódio não é política de Estado

Estamos vivendo a Idade Média da Era Digital. Os avanços tecnológicos que nos conectaram em tempo real também provocaram divisões profundas. Vivemos tempos estranhos e perigosos. A globalização dividiu o planeta chamado internet em tribos que travam uma g

14 maio 2019 - 14h18

Estamos vivendo a Idade Média da Era Digital. Os avanços tecnológicos que nos conectaram em tempo real também provocaram divisões profundas. Vivemos tempos estranhos e perigosos. A globalização dividiu o planeta chamado internet em tribos que travam uma guerra diária para conquistar o maior número de likes, seguidores e compartilhamento para suas teorias. Estamos todos sendo rotulados: direta, esquerda, católico, evangélico, espíritas, héteros, LGBTQ+, negros, brancos, estudantes, coxinhas, mortadelas, minions, sem falar dos nazistas, homofóbicos, racistas e até terraplanistas - gente que acredita que a terra é plana - que emergiram da chamada “Deep Web” uma terra sem lei, repleta de atividades ilegais pavorosas.

O diálogo e o debate democrático de ideias estão em extinção. O quadro social está desbotando. A cartela de cores do regime democrático que deveria misturar uma infinidade de matizes e tons caminha para o cinza monocromático. O direito está dando lugar ao tribunal do grito que julga e condena sem provas. Conversamos apenas com nossa tribo, com os que dividem conosco as mesmas ideias e opiniões. Estamos fechando a porta que amplia o conhecimento e fazendo a opção pelo caminho que leva a ignorância.

A diversidade de raças, culturas e opiniões está na base da formação da sociedade brasileira. Não somos um país de brancos, somos mulatos, miscigenados.  Em nossas veias correm o sangue de índios, negros escravos por mais que alguns queiram parecer brancos. O medo não pode nos arrastar para a barbárie e para a selvageria muito menos impor retrocessos nas garantias dos direitos individuais previstos na Constituição Cidadã. A liberação de armas, o aborto, a descriminalização da maconha, a criminalização da homofobia, o endurecimento das leis em defesa das mulheres são temas que deverão ser discutidos sem o viés do ódio e do fundamentalismo religioso. 

O Brasil precisa olhar para o futuro. Não podemos ignorar as minorias, não podemos apostar no ódio como política de Estado. É preciso resgatar a cidadania e a justiça social baseada na igualdade de direitos e na solidariedade coletiva ou estaremos fadados ao fracasso. As pessoas que pregam ideias e teorias preconceituosas, que até pouco tempo, seriam incapazes de defender numa mesa de bar com os amigos ou no churrasco da família, aos domingos, não é maioria, apesar de terem encontrado palanque e eco nas redes sociais, em nome de um patriotismo tosco e da construção de um Brasil que cultua a violência e o preconceito e ignora nossas diferenças e nossa cidadania.