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Coluna

Não era amor, era cilada

15 julho 2021 - 12h28

Se tem uma coisa que todas as pessoas perseguem, assumindo ou não, uma coisa que é maior do que dinheiro, poder e razão, é o amor. Buscar esse sentimento que é tão profundo, único e pessoal, por mais que não seja um objetivo de vida, não deixa de ser uma das razões que nos faz sentir vivos. Uma história de amor normalmente não começa como nas comédias românticas, com você correndo na chuva e esbarrando no amor da sua vida. Mas toda história de amor começa com as borboletas no estômago, aquela sensação de nervosismo, incerteza e uma ansiedade gostosa de não saber o que vai acontecer no próximo encontro (ou se terá um próximo encontro). De resto os filmes retratam muito bem a sensação de estar apaixonado, os suspiros sonoros, o olhar perdido, o coração acelerado, suor de nervoso e o sorriso besta quando recebe uma mensagem do crush. Parece que o dia está mais ensolarado, o caminho é mais florido, os pássaros cantam, quase como um filme da Disney e normalmente é assim mesmo por um bom tempo mas, o que vem depois da paixão?

Essa empolgação do início, que nos transforma em bobos sonhadores, também fecha os nossos olhos para certos detalhes importantes. Olhar para o outro com as lentes do amor tem seus riscos. Aquela mania que no início era fofa depois de um certo tempo pode se tornar irritante, mas ela sempre esteve lá. Você não estava reparando no jeito que o outro come, o quanto ele(a) odeia a faxina ou que você é do dia e ele(a) da noite. No início você não estava preocupado(a) com isso, mas esses detalhes fazem muita diferença na hora de conciliar e construir um relacionamento duradouro. Essas pequenas coisas podem não ser decisivas na hora escolher continuar ou abandonar um relacionamento, até porque é possível passar por todas elas com muita conversa e querência de ambos. A questão fica um pouco mais complicada quando falamos de aspectos profundos como os valores, planos e prioridades de cada um. Claro que você não vai, no segundo encontro, perguntar para o outro se pensa em ter filhos, como ele se vê daqui a 10 anos ou se fez terapia depois do último namoro, mas se essa pessoa que te causa borboletas no estômago é alguém com quem você se vê construindo um relacionamento é importante ter em mente que essa conversa um dia terá que acontecer. 

A construção de um relacionamento saudável não é fácil, meus amigos. Exige trabalho, esforço, abnegação de ambas as partes. Não é como em um trabalhinho da escola que você pode não fazer nada e pedir para o coleguinha colocar seu nome antes de entregar para você levar nota também. A euforia da paixão é perigosa, pode camuflar diferenças significativas e até mesmo te colocar em situações perigosas (principalmente se você for uma mulher e morar no Brasil, um dos países com maior índice de feminicídio do mundo). Então antes de você entregar o seu coração e começar a sonhar com o vestido de noiva, respire fundo e permita-se conhecer o outro de verdade. Crie experiências para viverem juntos. Viaje, saia, beba, dance, sinta e permita-se viver esse relacionamento antes de tomar uma decisão emocionada que pode mudar toda sua vida. O maior inimigo do amor é a expectativa.