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Coluna

Feliz Ano Velho

Cabo Frio vive um atraso sócio-econômico de, pelo menos, 40 anos, ou seja, apesar da era  digital e da  internet, que  encurtou distâncias, derrubou governos, criou ídolos instantâneos que surgiram e desapareceram com a velocidade de um clique, parecemos

26 fevereiro 2019 - 12h14
Cabo Frio vive um atraso sócio-econômico de, pelo menos, 40 anos, ou seja, apesar da era  digital e da  internet, que  encurtou distâncias, derrubou governos, criou ídolos instantâneos que surgiram e desapareceram com a velocidade de um clique, parecemos estacionamos na década de 70,  aprisionados pelas grades da incompetência e da falta de visão dos nossos políticos, que foram incapazes de colocar a cidade na estrada do futuro. A Saint Tropez se rendeu a Baixada.
 
Cabo Frio tem vivido um verão típico dos anos 70: crise no abastecimento de água, picos de energia, caos no trânsito, brigas e cenas de selvageria nas praias, mortandade de peixes na  Laguna de Araruama, sem falar dos buracos que se multiplicam pelas ruas e completam o cenário de época.  A cidade cresceu para todos os lados, sem  planejamento, sem um plano diretor.
 
A Lagoa de Araruama, um dos nossos maiores patrimônios naturais, paga o preço da irresponsabilidade e da falta de uma política de saneamento básico. A chamada Praia dos cabo-frienses, frequentada pelas famílias, que preferiam as águas tranquilas e mornas da laguna, à  agitação da Praia do Forte no verão, foi destruída. É cada vez menor o número de pessoas que se recorda de domingos memoráveis na praia da “Boneca”, como os cabo-frienses costumavam chamar o “Anjo Caído”, no Portinho.   
 
Os nossos casarios foram derrubados durante as madrugadas com a conivência e a cumplicidade de prefeitos que acreditam que o desenvolvimento estava na chegada de uma rede de fast-food americana na cidade. A política do 'tudo pode' transformou a Avenida Litorânea numa espécie de Copacabana e, se não fosse a luta de ambientalistas e a justiça, teríamos hoje uma estrada passando no meio das dunas. 
 
A infra-estrutura, entretanto, é o menor de nossos problemas. Os nossos governantes se não conseguiram cuidar da cidade , nem preservar a nossa identidade arquitetônica ou o Meio Ambiente, fizeram menos ainda pelo nosso povo. A nossa gente tem sido a maior vítima desse modelo político  perverso que que se implantou em Cabo Frio  nas últimas quatro décadas. 
 
O resultado da política do assistencialismo barato está na periferia sitiada e pode ser traduzido pela violência que domina os bairros e tenta nos expulsar do paraíso. É cada vez maior o número de jovens envolvidos com o crime organizado, cooptados por   facções  criminosas  na periferia, que tem muito pouco a oferecer  para quem sonha com o futuro. 
 
Ninguém nasce bandido, nem sonha na infância em trocar tiro com a polícia. O sonho de todo  jovem é com dias melhores, educação de qualidade, emprego digno, infelizmente o que a realidade oferece é completamente diferente: escolas arcaicas, desemprego, violência. A PM é o único serviço do Estado que chega nesse bairros . É preciso acabar com a política do pé na porta. É preciso construir esperança e dar a certeza  de um futuro de oportunidades iguais para todos.
 
A cidade precisa avançar em todos os sentidos, precisamos deixar o passado para trás e recuperar o tempo perdido; para isso é preciso coragem. É preciso romper as amarras que nos prendem a ideias tacanhas  e abandonar a vaidade que tem deixado marcas indeléveis na cidade. As cicatrizes que não podemos apagar que nos sirvam de lição  para o futuro como uma bússola a apontar o caminhos que não devemos seguir. A cidade não pode continuar vítima do atraso. Precisamos sonhar com um feliz Ano Novo.