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Coluna

O Sabotador

23 janeiro 2020 - 20h43

Quando decidiu emigrar para os Estados Unidos, no começo da década de 40, fugindo da guerra Alfred Hitchcock dirigiu “O Sabotador”. Era um filme, cujo enredo era baseado na tentativa de um ataque terrorista comandado por agentes nazistas em Nova York.

A cena final, com a descoberta do plano de sabotagem do agente infiltrado pela espionagem alemã, se passa na Estátua da Liberdade. Muito antes de Hollywood consagrar o cinema catástrofe, tendo Nova York como protagonista, e vítima dos planos diabólicos de terroristas, lá estava Alfred Hitchcock, com seu pioneirismo e genialidade.

O clima de guerra iminente, não era tema apenas de filmes visionários, como este do mestre do suspense, e não era preocupação somente nos Estados Unidos. No Brasil havia também o medo de que “sabotadores” pudessem cometer atos de terrorismo.

Tudo isso seria apenas “estória”, se aquela época não tivesse nada a nos dizer sobre os dias de hoje. Na verdade, uma das vantagens de gostar de História é que ela sempre tem algo a nos dizer tanto sobre o “Passado”, quanto sobre nosso presente.

Tanto no Brasil, quanto nos Estados Unidos, a possibilidade de ambos os países entrarem em guerra era real, e aumentou as expectativas de ambos os governos no sentido de preparar a população para o conflito. 

Mas como fazer com que uma população se convença da “necessidade” de lutar uma guerra? A “Propaganda” é uma das primeiras armas a serem usadas, antes mesmo de disparar qualquer tiro.

Em 1940, a guerra já havia se espalhado por toda a Europa, mas ainda não havia chegado aos Estados Unidos. A atitude de “neutralidade” dos americanos era algo que chamava a atenção da opinião pública internacional. Afinal, os Estados Unidos vão ficar de braços cruzados, observando o “Velho Mundo” arder em chamas?

O governo americano percebeu isso e pediu que uma série de pesquisas de opinião fossem realizadas dentro e fora do território americano para saber qual a opinião do cidadão sobre a posição americana, até aquele momento.

O governo americano percebeu algo muito interessante, a partir de uma pesquisa de opinião: as opiniões de familiares que tinham filhos em idade para serem convocados e aquelas famílias sem ninguém para ir para a guerra, eram praticamente idênticas. Ou seja, as famílias com filhos em idade de convocação estavam dispostas àquele “supremo sacrifício”.

No Brasil, o governo Vargas também mobilizou uma série de recursos de propaganda, de maneira a criar na população, a disposição para o conflito, caso este acontecesse. Não por acaso, o atual governo Bolsonaro tem como uma de suas principais peças discursivas, o nacionalismo. O sentimento de “pertencimento” à alguma coisa, como por exemplo, uma “nação” é muito poderoso. Se este sentimento for mantido em permanente estado de “prontidão”, é possível mobilizar as massas contra possíveis “sabotadores”.

E essa é a lição que creio eu, podemos tirar daquela época para os dias de hoje. Democracias começam efetivamente a “morrer”, quando transformam “opositores” em “sabotadores”.