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Coluna

Nos dias de hoje

25 abril 2020 - 16h57

E se, algum tempo atrás você ouvisse de uma cartomante que 2020 seria um ano brilhante? E se você ouvisse, desta mesma cartomante, que faria muitas viagens, prosperaria profissionalmente e encontraria um novo grande amor para este mesmo ano de 2020? Sairíamos felizes com a certeza de que seria um ano daqueles? Mesmo com as evidências, deste caos chamado Brasil, empurrando-nos ladeira abaixo? Somos sim, otimistas! Botaríamos fé! Entraríamos com o pé direito no ano de nossas vidas! Já estava escrito.

Está tudo nas cartas. Nas profecias... O mundo em quarentena se volta assustado para um vírus. Não este, que invade nossos computadores, corrompendo os espaços, ocupando o lugar de maneira criminosa, passando-se por nós. Um vírus muito mais potente, que se alastra rapidamente e é transmitido entre humanos. Humanos de qualquer classe, cor , credo. Até mesmo, estes hackers, que nos roubam a vida por aqui. Um vírus que interrompe a velocidade do Planeta. Um vírus que nos faz parar e esquecer todas as previsões descritas naquele dia. Entre o discurso sobre a vida e a economia, sinto pena do Brasil.

E, claro, uma vergonha danada! Na contramão de um sistema único mundial em que países e autoridades se unem, deixando de lado: divergências, ódios e partidos; para combater essa “bomba atômica”; seguimos aqui, atônitos com as barbaridades que ouvimos diariamente. Como encontrar a poesia nesse caos? Como escrever com beleza e sem dor, neste emaranhado de estupidez? Como não se colocar na pele do outro que perde alguém próximo todos os dias, enquanto campanhas absurdas de: “Voltem para as ruas” são proferidas pelos representantes legais deste país e por alguns lunáticos, que os acompanha, pedindo além, como se fosse pouco, a volta da Ditadura Militar e do AI-5? “Nos dias de hoje é bom que se proteja, porque na verdade, eu te quero vivo...”

Os versos da canção do Ivan Lins e Vitor Martins me faz acordar muitas profecias. “ Nos dias de hoje, esteja tranqüilo, haja o que houver, pense nos seus filhos...” Como não pensar nos filhos amados longe de nós? E que futuro melhor poderíamos desejar, se não, ao lado deles? “ Não corra nas praças, não corra perigo, não fale do medo, que temos da vida...” Como não lembrar dos lugares cheios de gente, das praças com música, das crianças correndo por aí sem perigo? “ Nos dias de hoje, tenha paciência, Deus está contigo, Deus está conosco, até o pescoço...” E até a fé, estranhamente rebatida, faz-nos partir um Deus em mil pedaços. ELE não se importa sobre o que pensamos sobre ELE. “ Pois lhes digo que Deus não dá a mínima. ELE é uma fonte de água cristalina. Nós, os homens é que temos sujado esta fonte com nossos mal cheirosos excrementos intelectuais”.

Que vergonha dos homens que dirigem, “bêbados”, este país. Em nome de um deus ( minúsculo mesmo ) que nunca agiria assim. Tenho contado mil vezes até dez para não perder a minha paz. São assim os nossos dias atuais. “ Cai o rei de espadas, cai o rei de ouro, cai o rei de paus, cai não fica nada...” E que ao menos a profecia deste verso acima se concretize, antes que seja tarde demais. Nos dias de hoje...